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sábado, 1 de outubro de 2016

A maior dor da minha vida

sábado, outubro 01, 2016 42
No dia 18 de setembro de 2016 perdi o meu segundo filho. Segundo porque - pra quem não sabe - no dia 19 de março de 2016 perdi o primeiro. O segundo tinha 6 semanas e 6 dias e media 8mm. O primeiro tinha 8 semanas e 3 dias e media 16mm. Não ouvi os batimentos cardíacos do segundo, mas ouvi do primeiro...  Foi o som mais lindo que já escutei na vida.

Nenhum dos dois foi planejado e o primeiro foi o que mais me assustou. Havia arrumado um emprego e ganhado uma bolsa na faculdade há pouquíssimo tempo e só conseguia pensar que perderia tudo. Estupidez minha...  Não me dei conta que esse "tudo" estava crescendo dentro de mim.

Não deu tempo de confirmar o segundo, mas só a possibilidade de estar grávida novamente me encheu de alegria. O cenário não havia mudado muito, mas eu estava bem mais centrada e fiz vários planos. A minha única preocupação eram as pessoas ao meu redor, então me precipitei (um pouco demais) e comecei a arranjar soluções. Preparei tudo pra chegada dele, mas esqueci de prepará-lo.

Mesmo após ver e ouvir o primeiro, não criei um vínculo imediato. Estava tão atordoada, triste e estressada que não o aceitava, não enxergava a bênção que havia recebido de Deus. Comecei a questionar se meu sonho de ser mãe era verdadeiro... Se realmente nasci pra isso como sempre acreditei. Foi um período horrível de conflitos internos e externos e sintomas enloquecedores.

Com o segundo bastou um atraso menstrual. Eu já o amava, o imaginava e o queria. Foi uma conexão instantânea... Não o sentia fisicamente, mas me sentia mãe. Os sintomas eram mais sutis e eu não via a hora de tê-lo nos braços.

Em nenhuma dessas duas vezes tive a oportunidade de contar ao meu pai que ele seria avô, ao meu irmão que ele  seria tio... A minha família só ficou sabendo durante/após as perdas e isso me machucou muito.

Na primeira vez liguei pro meu pai - em prantos - várias vezes, mas o nó na minha garganta me impedia de falar uma palavra sequer sobre esse assunto. Na segunda vez "amaciei o território" ao máximo e disse que estava com suspeitas, mas omiti que dentro de mim essa suspeita já havia sido confirmada.

Os processos abortivos foram traumáticos e torturantes, porém distintos.

Senti tanta dor no primeiro que pensei que fosse morrer e - como não sabia o que estava acontecendo - fiquei apavorada. No segundo começou com um sangramento aparentemente inofensivo, mas que me deixou em pânico instantaneamente.

Fui ao hospital nas duas vezes: no Rio na primeira e na Baixada na segunda. Ambos não ajudaram em nada, mas como havia me informado sobre o assunto após a primeira perda, não permiti que me forçassem a passar pela curetagem em setembro como me forçaram em março, pois prometi a mim mesma que jamais me submeteria àquilo novamente.

O tempo continuou passando, a vida continuou seguindo e eu continuei... Destruída. Azar o meu.

Confesso que ter evitado a segunda curetagem me trouxe uma certa paz de espírito, mas depois de passar duas vezes por essa situação percebo que não há cura. Ainda que eu tenha mais filhos no futuro... Uma pessoa nunca substituirá a outra.

Meu primeiro filho nasceria esse mês (outubro). Meu segundo filho nasceria em abril.

E eu? Morri com eles. Sou um terço do que já fui um dia.

Hoje o desejo de ser mãe inflama meu coração, mas o medo invade o meu ser. "E se acontecer de novo?".

Estou cuidando do meu corpo, mas ainda não foi descoberta a causa... Aparentemente estou saudável e já não sei se essa é uma boa notícia. 

Existe remédio para a alma?

Vejo grávidas na rua e imagino como a minha barriga teria ficado. Olho recém-nascidos e me emociono ao pensar em como seriam os meus. Passo em frente à lojas infantis e tenho vontade de comprar todas as roupinhas e sapatinhos, mas lembro que não tenho mais motivo. 


E ninguém entende esse sofrimento... Muitos desmerecem e isso me cansa. É uma pressão tão grande pra "ficar bem" e uma incompreensão tão absurda que optei por viver a minha dor de forma invisível, pelos cantos, pra evitar conflitos desnecessários, mas ela (a dor) existe e habita em mim.

De qualquer forma, apesar de tudo, não me importo com o que dizem ou pensam. O meu único consolo é saber que sou mãe de dois anjinhos lindos que estão ao lado de Deus, que eu amo mais que a minha própria vida e que, ainda que passem décadas, jamais serão esquecidos. Seus irmãos saberão que eles existiram, que fazem parte da família e que têm um espaço exclusivo no meu coração.
Filhos, estar em pedaços devido a falta que vocês me fazem faz com eu me sinta abençoada por um dia tê-los tido dentro de mim. Os amo infinita e eternamente.


"É só me recompor, mas eu não sei quem sou... Me falta um pedaço teu. Preciso me achar, mas em qualquer lugar estou  rodando sem direção, eu vou. Morcego sem radar voando a procurar, quem sabe, um indício teu. Queimando toda fé, seja o que Deus quiser - eu sei - que amargo é o mundo sem você..."

segunda-feira, 27 de junho de 2016

#ProjetoLYM – Recaídas

segunda-feira, junho 27, 2016 6

Desde o começo deixei claro que o #ProjetoLYM havia sido criado para 1) cuidar de mim mesma 2) me distrair 3) me fazer sentir melhor externamente e, consequentemente, interiormente. Me animei muito ao ter essa ideia, mas a prática é sempre mais complexa que a teoria.


A verdade é que estou uma bagunça por dentro e por fora. Tenho tentado estabelecer rotinas, metas e regras, mas tudo parece ser em vão. O estresse, a tristeza e o pânico têm feito parte do meu dia a dia.

Minhas unhas quebraram e ainda não consegui começar a dieta, mas a partir de hoje (27/06/2016) irei regrar a minha alimentação. Meu cabelo está crescendo, graças a Deus ao menos dele estou cuidando direito.

Me olhar no espelho é uma tarefa árdua que me deixa infeliz, porém me policio muito em consideração as pessoas ao meu redor pois por mais que se importem e se preocupem comigo 1) ninguém me entende 2) não há nada ao alcance deles que possa me ajudar 3) só depende de mim mesma.

Entretanto não desistirei do projeto... Desistir dele seria o mesmo que desistir de mim. 

Estou apenas desabafando e, pra ser sincera, há muitas outras coisas que quero/preciso compartilhar com vocês, mas estas serão divididas em posts específicos, pois abordam diversos temas que acabam fugindo do projeto.

Me veio à cabeça a ideia de criar uma nova categoria aqui no blog onde desabafarei, darei conselhos e partilharei minhas experiências atuais... Semelhante aos 'updates' que publiquei quando as coisas começaram a desandar, mas sem me expor tanto. O que acham?

Ps.: Meu presente de dia dos namorados chegou e em breve mostrarei para vocês em primeira mão / Não esqueci do Ddesafio das Cartas, a próxima cartinha será publicada quarta-feira.

E é isso, pessoal. Fico no aguardo das respostas pelos comentários.

Até a próxima! <3

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Update #2

sexta-feira, abril 08, 2016 38
Oi pessoal, tudo bem? Espero que sim.

Já havia programado um post pra hoje, mas senti a necessidade de desabafar novamente com vocês.


Tá difícil, viu? Mas Deus tem sido fiel na minha vida. 

Começando pelas coisas boas, estou participando de um projeto super legal que tem a ver com a blogosfera. Creio que no final de abril/início de maio poderei revelar. Aguardem, tenho certeza que vão gostar!

Agora as dificuldades... (Recomendo que leiam o primeiro post de update para melhor entendimento deste).

Essa foi minha primeira semana de trabalho após meu afastamento e correu tudo bem. Meu emprego é ótimo e o ambiente é o melhor que vocês possam imaginar. Gosto muito do que faço, sabe? E isso torna tudo mais fácil... Entretanto estou muito cansada. Quinze dias é bastante coisa e estou me readaptando à rotina.

Depois de tudo o que passei sinto que endureci um pouco e presenciar pessoas se queixando por futilidades me tira do sério interiormente, mas graças ao Senhor estou conseguindo manter o controle.

Meu relacionamento está abalado e eu sabia que isso seria algo inevitável e incontrolável. Duas pessoas diferentes que passaram por uma situação traumática tendem a sofrer de formas distintas e é exatamente isso que está acontecendo.

Estou com muitas saudades da minha família, especialmente do meu pai. Passei a última semana da minha licença na minha casa em Belford Roxo (durante a semana fico na casa do meu namorado no Centro da Cidade porque é mais perto do trabalho e da faculdade) e ele me deu todo apoio e suporte. Reforçou todas as minhas razões de considerá-lo o melhor pai do mundo e é extremamente complicado estar longe dele nessa fase que estou atravessando.

Estou mais seletiva em relação às minhas amizades - coisa que pensei ser impossível, pois não converso com quase ninguém.

E, por último, mas não menos importante: Só retorno pra faculdade no próximo semestre porque faltei muitas aulas e não há como obter boas notas nas avaliações.

Perdão pelo post, ok? É que - como já falei um trilhão de vezes - o blog é reflexo do que sou e eu não me sentiria confortável em liberar uma postagem sobre algo que não refletisse como estou hoje.

Prometo que domingo o clima será mais alto astral por aqui.

Até a próxima! <3