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sábado, 1 de outubro de 2016

A maior dor da minha vida

sábado, outubro 01, 2016 42
No dia 18 de setembro de 2016 perdi o meu segundo filho. Segundo porque - pra quem não sabe - no dia 19 de março de 2016 perdi o primeiro. O segundo tinha 6 semanas e 6 dias e media 8mm. O primeiro tinha 8 semanas e 3 dias e media 16mm. Não ouvi os batimentos cardíacos do segundo, mas ouvi do primeiro...  Foi o som mais lindo que já escutei na vida.

Nenhum dos dois foi planejado e o primeiro foi o que mais me assustou. Havia arrumado um emprego e ganhado uma bolsa na faculdade há pouquíssimo tempo e só conseguia pensar que perderia tudo. Estupidez minha...  Não me dei conta que esse "tudo" estava crescendo dentro de mim.

Não deu tempo de confirmar o segundo, mas só a possibilidade de estar grávida novamente me encheu de alegria. O cenário não havia mudado muito, mas eu estava bem mais centrada e fiz vários planos. A minha única preocupação eram as pessoas ao meu redor, então me precipitei (um pouco demais) e comecei a arranjar soluções. Preparei tudo pra chegada dele, mas esqueci de prepará-lo.

Mesmo após ver e ouvir o primeiro, não criei um vínculo imediato. Estava tão atordoada, triste e estressada que não o aceitava, não enxergava a bênção que havia recebido de Deus. Comecei a questionar se meu sonho de ser mãe era verdadeiro... Se realmente nasci pra isso como sempre acreditei. Foi um período horrível de conflitos internos e externos e sintomas enloquecedores.

Com o segundo bastou um atraso menstrual. Eu já o amava, o imaginava e o queria. Foi uma conexão instantânea... Não o sentia fisicamente, mas me sentia mãe. Os sintomas eram mais sutis e eu não via a hora de tê-lo nos braços.

Em nenhuma dessas duas vezes tive a oportunidade de contar ao meu pai que ele seria avô, ao meu irmão que ele  seria tio... A minha família só ficou sabendo durante/após as perdas e isso me machucou muito.

Na primeira vez liguei pro meu pai - em prantos - várias vezes, mas o nó na minha garganta me impedia de falar uma palavra sequer sobre esse assunto. Na segunda vez "amaciei o território" ao máximo e disse que estava com suspeitas, mas omiti que dentro de mim essa suspeita já havia sido confirmada.

Os processos abortivos foram traumáticos e torturantes, porém distintos.

Senti tanta dor no primeiro que pensei que fosse morrer e - como não sabia o que estava acontecendo - fiquei apavorada. No segundo começou com um sangramento aparentemente inofensivo, mas que me deixou em pânico instantaneamente.

Fui ao hospital nas duas vezes: no Rio na primeira e na Baixada na segunda. Ambos não ajudaram em nada, mas como havia me informado sobre o assunto após a primeira perda, não permiti que me forçassem a passar pela curetagem em setembro como me forçaram em março, pois prometi a mim mesma que jamais me submeteria àquilo novamente.

O tempo continuou passando, a vida continuou seguindo e eu continuei... Destruída. Azar o meu.

Confesso que ter evitado a segunda curetagem me trouxe uma certa paz de espírito, mas depois de passar duas vezes por essa situação percebo que não há cura. Ainda que eu tenha mais filhos no futuro... Uma pessoa nunca substituirá a outra.

Meu primeiro filho nasceria esse mês (outubro). Meu segundo filho nasceria em abril.

E eu? Morri com eles. Sou um terço do que já fui um dia.

Hoje o desejo de ser mãe inflama meu coração, mas o medo invade o meu ser. "E se acontecer de novo?".

Estou cuidando do meu corpo, mas ainda não foi descoberta a causa... Aparentemente estou saudável e já não sei se essa é uma boa notícia. 

Existe remédio para a alma?

Vejo grávidas na rua e imagino como a minha barriga teria ficado. Olho recém-nascidos e me emociono ao pensar em como seriam os meus. Passo em frente à lojas infantis e tenho vontade de comprar todas as roupinhas e sapatinhos, mas lembro que não tenho mais motivo. 


E ninguém entende esse sofrimento... Muitos desmerecem e isso me cansa. É uma pressão tão grande pra "ficar bem" e uma incompreensão tão absurda que optei por viver a minha dor de forma invisível, pelos cantos, pra evitar conflitos desnecessários, mas ela (a dor) existe e habita em mim.

De qualquer forma, apesar de tudo, não me importo com o que dizem ou pensam. O meu único consolo é saber que sou mãe de dois anjinhos lindos que estão ao lado de Deus, que eu amo mais que a minha própria vida e que, ainda que passem décadas, jamais serão esquecidos. Seus irmãos saberão que eles existiram, que fazem parte da família e que têm um espaço exclusivo no meu coração.
Filhos, estar em pedaços devido a falta que vocês me fazem faz com eu me sinta abençoada por um dia tê-los tido dentro de mim. Os amo infinita e eternamente.


"É só me recompor, mas eu não sei quem sou... Me falta um pedaço teu. Preciso me achar, mas em qualquer lugar estou  rodando sem direção, eu vou. Morcego sem radar voando a procurar, quem sabe, um indício teu. Queimando toda fé, seja o que Deus quiser - eu sei - que amargo é o mundo sem você..."

domingo, 24 de abril de 2016

45º aniversário do meu pai

domingo, abril 24, 2016 83
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Dia 21/04 foi aniversário do meu pai, mas só o vi ontem (23/04) e hoje venho falar um pouco sobre tudo.

Estava esperando o momento certo para publicar sobre o meu pai, mas quem me acompanha nas redes sociais já deve ter uma ideia do que ele representa pra mim.

Esse será, sem dúvidas, um dos posts mais especiais do blog.


Quando minha mãe estava no hospital e o médico tentou os convencer a interromper a gravidez por haverem riscos, meu pai não desistiu de mim: “Eu quero o meu filho”.

Quando eu nasci, ele não conseguiu conter as lágrimas ao me olhar no berçário – ainda que tivesse desejado um menininho.

Quando fiz 5 anos e minha mãe foi morar na Europa, ele sequer cogitou a possibilidade de me deixar com algum parente. Casou novamente e me priorizou: “Quem me quiser tem que querer a minha filha”.

Durante a minha infância e a do meu irmão, foi um pai amoroso, presente e sempre se esforçou para nos dar tudo o que precisávamos e queríamos.

Lembro que eu o abraçava forte quando ele chegava do trabalho e ficava de olhos abertos pois queria que aquele momento fosse eternizado na minha memória.

Eu não sabia nada sobre a vida, tampouco sobre as coisas que haviam acontecido comigo, mas o meu amor por ele já era imensurável.

Na minha pré-adolescência ele se separou da mãe do meu irmão e nós dois passamos a morar sozinhos.  

Como um pai lida com uma menina pré-adolescente sem uma mãe para auxiliá-lo? Ele lidou com maestria. 

Quando arrumei o meu primeiro namoradinho  aos 14 anos  ele morreu de ciúmes, mas nunca me proibiu de nada: “Se ele gosta mesmo de você tem que vir falar comigo, filha minha não vai namorar na esquina”.

Quando falei sobre outro namoradinho de escola  aos 15 anos  e o apresentei, a primeira coisa que ele me disse foi: “Sabe que não é com ele que você vai se casar, né?” Fiquei chateada e ele completou: “Filha, se você não quer casar com um pessoa, não tem porque namorar com ela. Quem não quer casar, não namora.” E ele estava – como sempre – certo.

O decepcionei muito em relação aos estudos no ensino médio e a minha rebeldia típica de adolescente, mas ele nunca deixou de confiar e demonstrar o seu amor por mim e isso fez com que eu o admirasse ainda mais.

Aos 16 anos ele permitiu que eu conhecesse pessoalmente meus amigos virtuais e me levou até eles. Na época eu não percebi, mas hoje vejo o quão cuidadoso e sensível ele foi, pois poderia simplesmente não ter permitido que eu os encontrasse.

Comecei a namorar um desses amigos (o namoro até hoje) e ele, por me conhecer melhor do que ninguém, percebeu sem que eu dissesse, permitiu sem que eu pedisse e marcou um encontro com meu namorado para deixar tudo claro e oficializado: “Cuida da minha filha, hein”.

Em 2013 ele se casou novamente e disse que finalmente poderia me dar uma família de verdade  e eu achei isso a maior bobagem do universo: Eu e ele sempre fomos uma família “de verdade”, nunca precisei de ninguém além dele – e do meu irmão – para me sentir grata, completa e ser feliz.

Nos mudamos para uma casa maior e mais bonita. Antes eu contava os dias para que isso acontecesse, mas quando aconteceu senti um vazio enorme e a falta dos nossos dias juntos na casa antiga foi indescritível. Éramos só nós dois, sabe? Me arrependo de ter desperdiçado boa parte dessa época reclamando e brigando com ele – estando obviamente errada em todas essas discussões.

Apesar de tudo nunca nos afastamos e meu amor por ele só aumenta a cada dia. Quando penso que não posso o amar mais, ele me surpreende de alguma forma. É incrível saber que tenho alguém com quem posso contar sempre!

Hoje tenho 20 anos e recentemente sofri um aborto. Já namoro há quatro anos, mas estava morrendo de medo da reação dele e, mais uma vez, ele fez jus ao posto de melhor pai do mundo.

Não consigo não me emocionar ao lembrar da preocupação dele, do cuidado, do carinho, da compreensão. Em nenhum momento ele me julgou ou apontou o dedo pra mim.

Ele foi me ver no hospital pois fiquei internada e, quando fui pra casa, conversamos pessoalmente. O que ele me disse foi: "Você tem que se cuidar, filha. Se o bebê viesse seria muito amado, mas Deus sabe o que faz. Você e o Léo têm que ser mais responsáveis, estamos vivendo uma época de inúmeras doenças." Achei lindo o fato dele ter relacionado a responsabilidade com as doenças. Penso no maravilhoso avô que ele seria – e será um dia.

Ele é a minha base, meu suporte, meu herói, meu maior exemplo, meu melhor amigo e o amor da minha vida. Tenho muito orgulho de ter o sangue dele correndo pelas minhas veias e de carregar seu sobrenome.


Meu pai, o Léo e eu fomos ao Via Brasil almoçar e assistir um filme em comemoração ao aniversário dele, o Lucas não foi porque tinha ido viajar com sua mãe – e fez falta.

Como escrevi na legenda da foto que postei no facebook, estar com o meu pai é renovar as energias e reforçar minha gratidão e a certeza de que tenho o melhor pai do mundo.

Nossa casa é em Belford Roxo e atualmente estou ficando no Centro do Rio de Janeiro (na casa do Léo) por causa do meu trabalho, então temos nos visto pouco ultimamente.


Como também escrevi na legenda do facebook, ia tampar minha cara na última foto da cabine (meu paizinho anunciou que saiu da pose antes do flash e ficou com esse sorriso lindo, enquanto eu fui clicada com essa cara de pata), mas deixei porque ela traduz bem os momentos que estamos todos juntos.

É só alegria, risada, palhaçada, sorriso e amor. Me sinto realizada pelo fato do meu pai e meu irmão se darem tão bem com meu namorado.


Assistimos 'O Caçador e a Rainha do Gelo" e o filme é bem chatinho, meu pai disse que cochilou quatro vezes, porém algumas cenas são engraçadas e muita gente gostou. Talvez eu traga a resenha pra vocês.


Minha madrasta deu um celular ótimo pro meu pai e achei isso super legal pois ele estava precisando. O celular dele era literalmente o pior do mercado, não porque não havia dinheiro para comprar um melhor, mas sim porque ele achava que smartphone era tudo igual. Depois de três sofridos anos ele aprendeu bem a lição! Rs.

Eu comprei a camisa oficial desse ano do Botafogo pra ele, mas esqueci de entregar. Ainda está na embalagem da sedex (comprei pela internet), mas assim que eu der pra ele tiro uma foto e a coloco aqui.


Desejo ao meu pai muita saúde (quero que esteja comigo até os meus 90 anos de idade), paz, amor, dinheiro e fé. Que ele volte a ficar na palma da mão de Deus e não mais entre Seus dedos e que tenha a felicidade que merece.

Antes que vocês comentem: Eu sei que ele é lindo! <3

Feliz aniversário atrasado, bebê! Te amo infinitamente.

É isso, pessoal.

Até a próxima!

terça-feira, 29 de março de 2016

Só queria dizer obrigada

terça-feira, março 29, 2016 68

Enquanto o barco afundava, você permaneceu ao meu lado, estático, mesmo eu te expulsando.
Quando te rejeitei, você me abraçou, me beijou, disse que me amava e que continuaríamos juntos independente do que acontecesse.
Durante a minha desorientação, você estendeu a sua mão e me guiou pelo caminho mais seguro.
Só queria dizer obrigada.
Demorei um pouco para organizar a minha mente e entender o que estava havendo. Hoje percebo o quão difícil foi – não só para mim.
Às vezes é mais fácil estar “fora de si” do que continuar consciente e ser forçado a manter o controle de tudo.
Perdão por não ter enxergado isso antes.
Sei que suas falhas foram reflexo da pressão que havia em cima de você e jamais duvidei das suas intenções – que sempre foram as melhores do mundo.
Te forcei a escolher a opção mais fácil a curto prazo e eternamente dolorosa e, sinceramente, não sei se me arrependo disso, mas há um vazio dentro de mim que só pode ser preenchido por você.
Seu carinho e sua dedicação têm feito com que eu me sinta importante. Em nenhum momento você me julgou ou culpou – e teria todo direito de fazê-lo.
Só queria dizer obrigada.
Saiba que não tinhas a obrigação de exercer nem cinqüenta por cento do papel que se prestou a realizar. Reconheço que sua postura foi uma em um milhão. Graças a você retomei as rédeas da minha vida.
Só queria dizer obrigada.
Serei seu equilíbrio quando houver necessidade, pois você me reergueu.
Você me ajudou, me capacitando a te ajudar.
Você me libertou, me possibilitando te libertar.
Só queria dizer obrigada. (27/03/2016 - 16h51min)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vou cursar Direito + Meu material escolar

segunda-feira, fevereiro 01, 2016 70


Oi pessoal! Tudo bem?

Como vocês podem ver no título, sim, passei na faculdade... E as aulas começam hoje!

Gente, não sei se vocês lembram do post "TENHA FOCO". Nele eu contei que estava desempregada e que não estava estudando. O publiquei no dia 02/01/2016 e hoje é dia 01/02/2016. Nesse pequeno espaço de tempo arrumei um emprego e ganhei uma bolsa numa universidade privada! Vocês têm noção?!

Consegui o emprego menos de uma semana depois da postagem e passei na faculdade na primeira chamada do ProUni. Eu poderia redigir um texto com incontáveis palavras belíssimas, porém não seria capaz de expressar a felicidade e a gratidão que habitam dentro de mim nesta fase incrível da minha vida.

O conselho de hoje será rápido e clichê, mas muito verdadeiro: Tenham paciência, pois tudo acontece quando tem que acontecer. Já me formei há três anos e fiquei seis meses desempregada, mas não me desesperei pois sabia que Deus estava preparando o melhor pra mim... E Ele está preparando o melhor pra você também! Creia nisso e continue se esforçando para alcançar seus objetivos.

Direito é um sonho antigo. Tenho muitas expectativas boas sobre o curso, mas com o tempo compartilharei minhas impressões com vocês mais a fundo. Minha meta é me tornar delegada federal, porém o futuro a Deus pertence... Serão 5 anos, muita coisa poderá mudar até a formatura.


Essa é a minha grade. Algumas informações estão apagadas por motivos óbvios de segurança, mas acho relevante mostrar pra vocês. Tenho um amigo advogado e ele disse que perde-se muito cursar Teoria Geral do Estado antes de Ciência Política, mas infelizmente não posso alterar as matérias pois essa grade foi gerada pelo sistema... Só terei liberdade para montá-la a partir do segundo semestre.

Outra amiga minha me contou que Teoria Geral do Estado é tenebrosa... Então já sei que terei que dar uma atenção especial à ela.

Confesso estar ansiosa, animada e preocupada. Trabalhar e estudar será complicado, porém graças ao Senhor Jesus Cristo não terei aula a semana inteira... Então poderei reservar estes dias - além do final de semana - para me aprofundar ainda mais nas matérias e ler variados livros sobre os assuntos abordados.

Agora mostrarei meus materiais. Já adianto que não é muita coisa porque na faculdade nós basicamente compramos livros e tiramos xerox, mas como pretendo me organizar e fazer muitas anotações pedi pro meu pai comprar algumas coisinhas.


Quis uma agenda mais para anotações e organização tanto no trabalho, quanto no dia-a-dia e na faculdade. Horários, trabalhos, lembretes e etc. Por coincidência ele escolheu uma agenda da mesma cor do layout do blog! <3


Optei por seis cadernos de uma matéria (um pra cada) tanto pra me poupar de carregar aquele peso de dez matérias quanto pra organização. Acho que será mais simples e prático... Nunca me dei muito bem com fichários.


O estojo combinando com a agenda <3 e esse mundaréu de canetas e lápis que é bem coisa de pai mesmo, né? Certeza que não usarei nem a metade! KKK. Só faltou os marcadores de texto que comprarei ainda essa semana.


E por último, mas não menos importante, minha mochila! Estava doida por uma nesse estilo sacola, mas optei por uma mais básica e séria por causa do curso mesmo. Mesmo não sendo toda colorida a achei linda demais! Custou R$ 150,00 na C&A.

Quero muito agradecer a vocês que estão sempre comentando... O post "TENHA FOCO" teve muitos comentários de pessoas me apoiando e desejando o meu bem e acredito que isso me ajudou bastante!

Não pretendo abandonar o blog, mas infelizmente postarei com menos frequência por conta da correria. Definirei os dias depois, porém serão dois posts por semana, ok?

Espero que tenham gostado do post e, mais uma vez, muito obrigada!

Até a próxima! <3

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

16° aniversário do meu irmão

terça-feira, janeiro 19, 2016 61

No dia 17 de janeiro de 2000, nascia meu irmão, Lucas Proença.

Temos mães diferentes e as coisas entre nosso pai e nossas mães ainda não haviam se resolvido por completo quando ele nasceu, então só nos conhecemos no aniversário de 1 ano dele.

É engraçado dizer isso, mas lembro muito bem desse dia. Eu tinha 5 anos e minha tia-avó Eliana me arrumou toda. Fui com um macacão bege da minnie, blusa azul e meus cabelos estavam curtinhos.

Com 1 e 5 anos não há muito diálogo, né? Não batemos aquele papo e também não brincamos juntos... O Lucas sempre foi tímido, porém o achei fofo e fiquei feliz de tê-lo conhecido. Não lembro de ter tido ciúmes dele em momento algum.

Pouco depois eu, ele, nosso pai e a mãe dele, passamos a morar juntos... E assim foi até os meus 16 anos.


Nós brigávamos como todos os bons irmãos, mas também brincávamos, ríamos e cuidavamos um do outro. Sempre fui mais carinhosa, mas nunca duvidei do quanto meu irmão gostava de mim, ainda que o jeito dele não permitisse demonstrar.


"Ter um irmão é ter, para sempre, uma infância lembrada com segurança em outro coração."

Mas, confesso, passei a valorizar muito mais meu irmão depois que o meu pai e a mãe dele se separaram e nós passamos a morar em casas diferentes. Nunca duvidei do meu amor por ele, mas como estávamos tão perto, os momentos juntos eram tão normais que passavam desapercebidos.

Não moramos tão longe assim um do outro, mas não nos vemos com frequência e, meu Deus do céu, me dei conta que o amor que sinto por ele não cabe dentro de mim... Morro de saudade a todo momento.

Meu irmão é especial, sabe? Daquelas pessoas que você só encontra uma vez na vida... Se encontrar. Tivemos a mesma educação, mas há coisas nele que parecem ser... Dele.


Ele não fala palavrões, é estudioso, é responsável, joga futebol, respeita os pais acima de tudo, não mente, é inteligente, completamente diferente dos garotos de hoje em dia que têm a mesma idade que ele... Muito diferente do que eu era aos 16.

Tenho muito orgulho de ser irmã, sangue do sangue de alguém como ele. Tenho certeza que ele é um anjo enviado por Deus para fazer a diferença nesse mundo perverso.


No domingo ele completou 16 anos e eu, meu pai, ele e meu namorado fomos ao shopping. Um passeio simples e corriqueiro, mas foi simplesmente incrível estar com eles nesse dia importante.

Não fizemos nada de grandioso, mas não precisou, sabe? Eles três me bastam e me fazem feliz só de estar por perto.

Almoçamos, conversamos, assistimos um filme muito bom, comemos besteiras, demos risadas, tiramos selfies e relembramos velhos tempos.


Foi simplesmente um dos melhores dias da minha vida, pois desde que eu e meu pai nos mudamos esses momentos "só nós quatro" estão cada vez mais escassos... E também porque eles três são as pessoas que mais amo no planeta.

Por um momento parei e os observei quando estávamos voltando no carro. Meu pai dirigindo... Os cabelinhos brancos que, ao contrário do que ele pensa, o deixa ainda mais lindo. Meu namorado do meu lado... Bem mais maduro, mais homem, mais seguro. E meu irmão no banco do carona, o dono do dia! Tão diferente... Os traços de adulto, quase da minha altura, voz grossa, pêlo nas pernas. Percebi o quanto o tempo passa e como os amores verdadeiros apenas se fortalecem no decorrer dos anos. Aquela imagem está eternizada na minha mente.


Torço muito pelo meu irmão, sei que ele será um grande homem e alcançará todas as suas metas pessoais. Todos os dias o nome dele está em minhas orações, peço a Deus que o proteja, guarde e ilumine.

Desejo que nossos laços só se fortaleçam, que nem o tempo e nem a distância sejam capazes de nos separar. Desejo que momentos como o que vivemos neste domingo sejam casa vez mais recorrentes, mas que não percam o seu valor. Desejo que todos reconheçam o quanto meu irmão é maravilhoso... Inclusive ele mesmo.


Irmão, jamais esquecerei de tudo que passamos, de todos os momentos que esteve ao meu lado, dos sorrisos, das lágrimas, da dor e da felicidade. Obrigada por tudo! E é só o começo... Sei que teremos muitas mais histórias para contar aos nossos filhos! Te amo!

Até a próxima! <3

sábado, 16 de janeiro de 2016

Lembranças

sábado, janeiro 16, 2016 61

Quinta-feira, 05 de abril de 2012, meia-noite e cinquenta.

Há algumas horas estava arrumando meu quarto e encontrei aquele anel que você tanto gostava em meio às minhas coisas. Quando o peguei e olhei de perto, foi como se um filme estivesse invadindo minha mente, junto com replays de vários momentos que passamos juntos… Inclusive nossa última noite. 
Difícil e dolorosa a confirmação de que momentos como esses não voltarão, ficarão apenas guardados na memória. Surreal imaginar minha vida daqui pra frente sem você ao meu lado.
Tudo foi tão especial, único e marcante. Teu toque, cheiro e gosto… Simplesmente inesquecíveis. Nós demoramos tanto para construir uma relação de intimidade, confiança e afinidade… Qual é a lógica de desistir quando, finalmente, conseguimos chegar no auge? Sinto que carregarei essa pergunta comigo durante muito tempo e temo nunca ter uma resposta.
Pode ser que a dor diminua ou até mesmo suma, retornando apenas quando eu relembrar do antigo nós e que a falta que você está me fazendo seja preenchida por outro alguém… Talvez eu seja mais feliz sozinha, mas sempre carregarei uma parte sua, assim como você sempre carregará uma parte minha, pois o que tivemos foi tão forte que nem o tempo será capaz de apagar. Você pode até me perder em algum canto da sua memória, porém quando me “encontrar” se sentirá como naquela época… Como na nossa época.
Relutei para aceitar o fim e admito que uma parte de mim ainda acredita em nós, mas fui obrigada a me adaptar e aprendi a suportar tudo isso. Uma vez ou outra tenho recaídas, porém não se trata de nada incontrolável ou insuportável. Ainda choro, te escrevo e penso em você o tempo todo… Ainda imagino como as coisas seriam se ainda estivéssemos juntos, vasculho todas as suas redes sociais, às vezes releio os nossos registros antigos e me torturo com músicas que me teletransportam até você… A primeira coisa que faço no messenger ou facebook é te procurar e o meu coração ainda acelera quando vejo você entrar, juntamente com aquele típico friozinho na barriga e depois, como de costume, fica apertadinho. É todo um ritual, todo um roteiro que às vezes parece que faço questão de seguir.
Mas vai passar. Eu vou superar. Essa dor é passageira. É tudo momentâneo. Não é isso que todas as pessoas insistem em me dizer? Conhecerei novos “alguéns”, outros sorrisos e olhares… Sentirei outros gostos, cheiros e toques… E saber que nada vai se comparar a você é o que me desanima. 
Que beijo será melhor que o seu? Às vezes calmo, com respeito e carinho, outras intenso, com tesão e vontade. Quanto ao cheiro? Definitivamente não existe aroma mais agradável que o seu. E desculpe usar palavras tão obscenas, mas tudo em você é delicioso… Teu toque me levou a loucura e me fez sentir coisas que nunca imaginei que seria capaz, um prazer sem tamanho. A tua voz me hipnotizava e o teu sorriso… Ah, o teu sorriso! 
Por que tudo seu é tão melhor, hein?! Cada detalhe é tão perfeito para mim. Até as suas pernas curvadas, cintura larga, cor da pele e dos olhos. A pintinha que você tem na ponta da orelha e o teu umbigo… Sabe, é bem mais que amor e é até meio triste dizer isso, mas terá que deixar de ser.
Um anel, ou melhor, o anel… Bastou apenas vê-lo para que todas essas sensações voltassem a tomar conta do meu ser. Por causa dele estou aqui novamente, mesmo depois de ter prometido a mim mesma não redigir nem sequer mais uma frase sobre você. Realmente pensei que a fase mais difícil já tinha passado, mas pelo visto ainda está por vir. O que me resta são apenas essas lembranças… São a elas que me agarro quando não tenho onde me segurar. São o que me mantém firme, de pé e me dão forças para seguir em frente. Tão importantes e únicas. Tão nossas… Lembranças.

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Oi pessoal, tudo bem?

Hoje trago para vocês um texto meu. Ele é antigo, mas confesso que é um dos meus favoritos e espero muito que gostem!

Sumi um pouco essa semana porque foi a minha primeira de trabalho e também porque peguei o zika vírus, mas agora estou melhor e mais organizada, os posts do blog voltarão normalmente!

Até a próxima! <3

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Um amor pra recordar

sexta-feira, dezembro 18, 2015 30
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim!

O réveillon está cada vez mais próximo, faltam menos de quatorze dias para 2016 e, não sei porquê, sempre fico aflita e nostálgica nesse período.

É uma mistura de emoções opostas. Frustração e felicidade, ansiedade e calmaria, desentusiasmo e animação, saudade e... Saudade.

Meus bisavós faleceram em 2012 e minha bisavó, Natalice, fazia aniversário dia 25 de dezembro. Queria guardar a história deles pro dia primeiro de janeiro, porém hoje eles estão tão vivos na minha mente que não consigo escrever ou pensar em nada que não os envolva.

Eles eram um casal bem tradicional. Meu bisavô, Armindo, sempre trabalhou para sustentar a família e minha bisavó cuidava da casa e costurava. Eles eram evangélicos e quando meu vovô não estava de bermuda marrom e camisa branca, vestia roupa social e colocava a bíblia debaixo do braço.

Não sei exatamente por quantos anos foram casados, mas ultrapassou os sessenta. Tiveram seis filhos, dez netos e nove bisnetos.

Eles me contavam que saíram da roça ainda muito jovens para construir uma família, porém nunca esqueciam de mencionar o nome de sequer um parente dos muitos que tinham. Enquanto eu ouvia a história conseguia perceber a gratidão e o orgulho no olhar deles... Era incrível.

Poderia ficar aqui por horas falando sobre cada detalhe e ainda assim não haveria como expressar tudo o que eles foram e são na vida de cada uma das pessoas que tiveram a sorte de tê-los por perto, por isso hoje quero compartilhar com vocês uma situação específica e - de certa forma - recente que me tocou profundamente na época e continua tocando hoje.

ANO NOVO DE 2011, CONTAGEM REGRESSIVA PARA MEIA-NOITE.

A família toda se reuniu na casa dos meus bisavós e fizemos uma ceia simples. A maioria estava na varanda enquanto eu, meu pai e meu biso ficamos sentados no sofá da sala, assistindo a contagem regressiva na Globo.

10, 9, 8, 7, 6...

Eu tinha 15 anos e não estava nada feliz por motivos fúteis. Hoje, com quase 20, me dou conta que aquele foi um dos melhores momentos da minha vida e - sem dúvidas - a melhor virada.

5, 4, 3, 2, 1! Feliz 2012!

O primeiro abraço do ano foi no meu vôzinho. Levantei, o abracei, fui falar com meu pai e depois a avalanche de parentes começou a estender os braços. 

Oramos - como de costume - na varanda e no final da oração a futilidade me ligou. Fui para o corredor atender e no final da ligação me deparei com uma cena inesquecível que me emociona até hoje.

Meu bisavô - que não participou da tradicional oração - estava no quarto com a minha bisavó. Ele deitou do lado dela e ficou fazendo cafuné enquanto a olhava com atenção e amor. Desabei.

Minha bisavó tinha alzheimer e àquela altura a maldita doença já a havia feito esquecer de tudo.

"A doença de Alzheimer é uma doença do cérebro (morte das células cerebrais e consequente atrofia do cérebro), progressiva, irreversível e com causas e tratamento ainda desconhecidos. Começa por atingir a memória e, progressivamente, as outras funções mentais, acabando por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes. Os doentes de Alzheimer tornam-se incapazes de realizar a mais pequena tarefa, deixam de reconhecer os rostos familiares, ficam incontinentes e acabam, quase sempre, acamados. É uma doença muito relacionada com a idade, afetando as pessoas com mais de cinquenta anos. A estimativa de vida para os pacientes situa-se entre dois e quinze anos."

Nós, como netos e bisnestos, sofríamos muito. Ela não nos reconhecia mais, achava que queríamos machucá-la e em alguns momentos era agressiva... Completamente o contrário do que costumava ser. 

Precisávamos insistir muito para que ela tomasse um remédio, pois achava que era veneno. Implorávamos para que ela se alimentasse, mas nem todos os dias conseguíamos porque ela pensava que a comida estava envenenada. Algumas vezes tivemos que forçá-la, literalmente, a tomar banho por causa do odor. Assistimos a mulher forte e guerreira que sempre cuidou de nós perder a identidade e a dignidade.

Se já era difícil pra nós, era pior pra ele. Como um marido que dorme e acorda com a esposa há mais de sessenta anos lida com essa situação? Ela esqueceu dele também.

"Eu? Casada com você?! Maluquice!"

No começo eles ainda dormiam juntos, porém depois passou a ser impossível. A memória dela foi apagada gradativamente e, infelizmente, com sucesso.

"Bellinha, por que você tá chorando?"
"Meu avô tá lá no quarto com a minha avó..."

Mas nos primeiros minutos do ano de 2012 ele fez questão de estar com ela, a companheira dele. E eu li (sim, li) aquela cena como: "e daí que ela não lembra de mim? Eu a amo e estarei por perto até seu último suspiro, pois o que importa é ela estar aqui... E nenhuma doença mudará isso."

E foi exatamente isso que aconteceu.

É claro que a doença dela o entristecia, mas ela continuava ali. Mesmo que apenas com pequenos lapsos de memória ou às vezes somente fisicamente, estava ali!

Dia 20 de fevereiro de 2012 deixou de estar. 

Aos 93 anos Dona Natalice teve uma parada cardíaca e faleceu. A partir daquele dia o olhar do senhor Armindo mudou, ele era um homem incompleto e jamais seria o mesmo novamente.

Conhecemos meu avô frágil como ele nunca nos permitiu ver... Porém mesmo na dor foi um exemplo de força. Teve dois AVC's e resistiu bravamente! Continuou andando, falando (mesmo com dificuldade) e com muita vontade de viver.

Porém a saúde começou a complicar ainda mais e ele precisou fazer uma cirurgia. 

Não esqueço da última vez que o vi. Ele estava no CTI do hospital, estendeu os braços chorando e disse: "minha netinha!" 

Acho que nunca vou conseguir lembrar disso sem chorar.

No dia 18 de outubro meu anjo faleceu, aos 83 anos, na mesa de cirurgia. A médica nos deu a notícia em prantos dizendo que tentou o ressuscitar por mais de vinte minutos. Mas ele já tinha encontrado a minha vózinha, com memória, no céu. 

Foi, de longe, a pior perda da minha vida. A que me arranca lágrimas dos olhos e dá um nó na minha garganta até hoje. 

Alguns meses depois li o livro "Jesus, o maior psicólogo que já existiu" e uma frase escrita nele fez com que eu entendesse e aceitasse:

"Parceiros amorosos de uma vida inteira morrem com poucos meses de diferença."

Oito meses. Duas perdas irreparáveis. Uma lição pra levar pra vida toda. Um exemplo a ser seguido.

Depois deles nossa família nunca mais foi a mesma... E nem será.

<3

<3

Da esquerda pra direita: tio Niti, Luciano (fazendo 2, marido da minha prima), Luan (priminho bebê), Nathália prima (morena), tia Marcela (loira), vovô Armindo, eu, Sheila prima (blusa verde) e meu paizinho.

Minha rainha!

Minha bisavó já tinha falecido... Comparem esse olhar com o olhar das fotos anteriores em que ele está ao lado dela.
Me perdoem por não conseguir editar as fotos, muito mal consegui finalizar o post. Espero, de coração, que vocês possam tirar algum proveito desse relato que - apesar de parecer grande - não faz jus nem a metade do que meus avós representam pra nós.

QUE EM 2016 VOCÊ POSSA VALORIZAR MAIS QUEM VOCÊ AMA E OS MOMENTOS QUE SÃO REALMENTE IMPORTANTES, POIS HÁ VÁRIAS COISAS ALÉM DA MORTE QUE ESTÃO AÍ PARA NOS MOSTRAR QUE NADA É ETERNO NESSA TERRA. 

Até a próxima.

Último natal e último ano novo com eles.