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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Depois a louca sou eu

segunda-feira, abril 09, 2018 0
Estava numa dúvida tremenda sobre qual livro ler porque na verdade nenhum havia chamado minha atenção (e os que estão na minha wishlist literária ainda estão muito caros 😂), até que me deparei com a autora Tati Bernardi e automaticamente voltei no tempo.

Conheci a Tati em 2009/2010, quando me apaixonei pela primeira vez e não fui correspondida da forma que deveria. Me identificava com os textos dela num nível "meu Deus, alguém invadiu minha mente e expôs tudo o que estou vivendo e sentindo". Já chorei, sorri, gargalhei e chorei mais um pouco lendo cada uma de suas palavras e em alguns momentos (aqueles em que ninguém aguenta mais ouvir o nome do fulano) elas foram minha única companhia. 

Sempre amei escrever e - como me identificava com ela - passei a também me inspirar. Algo como "o que a Tati diria sobre isso?" inconsciente. Frases como "a vida fica surda sem você porque o volume do mundo abaixa para ouvir o meu grito interno" "não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que quero dizer" "o fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim" "eu passo quieta por você, você passa quieto por mim e eu ainda escuto o barulho que a gente faz" "talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor só para nunca deixar de ser amor" e textos como "a rede social" e "eles se amam" marcaram (literalmente - em todos os sentidos da palavra) a minha vida.

Infelizmente meus textos antigos foram excluídos-definitivamente-sem-sequer-uma-porra-de-backup há alguns anos num momento de surto quero-apagar-o-fulano-da-minha-existência-porque-ele-é-um-inútil-e-não-merecia-ter-me-conhecido combinado com ciúmes irracionais do meu namorado da época (hoje noivo), mas alguns - modéstia a parte - realmente pareciam ter sido escritos (ou ao menos supervisionados) por ela.

Há 6 anos atrás quando minha mãe veio para o Brasil (ela mora em Portugal) fomos na livraria Travessa do Barra Shopping e eu estava louca atrás de um livro da Tati Bernardi. Já havia procurado em diversas livrarias de shoppings da Baixada Fluminense, Zona Sul e Zona Norte e não encontrava de jeito nenhum. Me enchi de esperanças de achar lá por ser uma livraria enorme e - para minha felicidade absoluta - finalmente tinha! 'A menina da árvore'. Estava super empolgada até minha belíssima mãe olhar para o livro e dizer "não vou comprar, cultura inútil". Que ó-d-i-o! Mas aos 16 e sem nenhum centavo no bolso, não tinha muito o que questionar. No fim acabei levando Cinquenta Tons de Cinza (rs). Ainda não era famoso, nunca havia ouvido ninguém falar sobre, mas a capa me chamou atenção, mostrei a descrição pra ela e ela aprovou. Não vimos o aviso de conteúdo erótico, só descobri quando cheguei em casa e pesquisei sobre ele. Irônico, não? "Cultura inútil", aff!

Nesse mesmo ano (2012) comecei a namorar com meu atual noivo e passei por uma fase feliz-demais-para-ler-Tati-Bernardi que ia e voltava com frequência, até que depois de uns 2 anos se estabeleceu e permaneceu até dia 20/02/18 (data em que comecei a ler esse livro) - com exceções dos momentos de nostalgia. E foi nesse mesmo dia conheci um lado da Tati que eu nunca havia explorado e que hoje me identifico bastante: o monstro da ansiedade.


EDITORA: Companhia das Letras;
• I.S.B.N.: 9788535926576;
• NÚMERO DE PÁGINAS: 144;
• ANO DA EDIÇÃO: 2016;
• AUTORA: Tati Bernardi;

SINOPSE: "Em Depois a louca sou eu, Tati Bernardi escreve sobre a ansiedade com um estilo escrachado, ágil, inteligente e confessional. As crises de pânico, a mania de organização, os remédios tarja-preta e os efeitos da ansiedade em sua vida aparecem sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar e, sobretudo, humor.
Tati consegue falar de um tema complicado, provocar gargalhadas e ainda manter o pacto de seriedade com o leitor. A capacidade de rir de si mesma confere a tudo isso distância, graça e humanidade. Depois a louca sou eu é a entrada em cena de uma escritora que ombreia com os melhores da nova literatura brasileira."


RESENHA: A experiência de ler esse livro no ápice da crescente da minha ansiedade foi sadicamente interessante. Em alguns momentos senti que devia dar uma pausa, mas queria continuar lendo e - assim como quando eu era criança e colocava sal em meus machucados - apesar dos pesares continuei ininterruptamente.

O livro reúne uma série de histórias reais vividas pela Tati onde o medo foi seu maior rival. Momentos em que ela travou lutas internas contra o monstro da ansiedade enquanto precisava desempenhar suas tarefas rotineiras simultaneamente. Dias em que a desesperança e o desespero tomaram conta do seu ser por razões que certamente causariam estranheza àqueles que respeitam suas bordas mentais, mas que gerariam uma inexplicável sensação de conforto àqueles que - assim como eu - violaram toda e qualquer delimitação psíquica - não por satisfação pela martirização alheia e sim pela companhia em meio ao infindável abismo da solidão psicológica.

Porém não se deixe enganar pelas minhas profundas e tristonhas reflexões: a abordagem que a Tati utiliza para descrever todas essas situações é tudo, menos deprimente. Um humor tão ácido quanto sincero que dá sentido à expressão "rir para não chorar". Ri, chorei, gargalhei, sofri e - no fim - sorri.

Está a anos-luz de ser um livro de autoajuda, mas para mim funcionou como tal. Algumas crises foram desencadeadas durante e após a leitura devido a descrição minuciosamente detalhada do turbilhão de pensamentos que regem meus piores pavores, porém elas foram - na medida do possível - benéficas pois passei a me permitir senti-las em vez de somente temê-las. Minha visão se expandiu e esse foi o pontapé inicial para que eu tomasse decisões importantes sobre o rumo da minha vida me baseando única e exclusivamente nas minhas próprias vontades.


Ao acessar o arquivo de clippings do meu Kindle me assustei com a quantidade de trechos destacados pois - por não ter conseguido definir quais foram os meus capítulos favoritos - decidi comentar brevemente sobre cada uma das citações que mais me identifiquei e - como foram várias - precisei reduzi-las ao máximo. Restaram 11 e, ainda que continue sendo muita coisa, tive que deixar no mínimo 10 de fora. A frase que utilizei no início dessa postagem ("meu Deus, alguém invadiu minha mente e expôs tudo o que estou vivendo e sentindo") nunca fez tanto sentido.

CITAÇÕES:

"Escrevo para saber que tenho bordas, como um morto na cena do crime. Talvez escrever me salve diariamente de não enlouquecer de verdade." (Página 5)
Ter lido essa frase logo no início do livro me impactou profundamente e me fez viajar no tempo. Lembrei de todas as razões que me levaram a começar a escrever e concluí que, de fato, sem a escrita teria sido impossível superar algumas situações. Interpretei o "bordas" como limites pois o ato de colocar no papel nossos sentimentos e pensamentos faz com que tenhamos uma visualização palpável do que somos - o que, ao menos para mim - é impossível fazer de outra forma senão essa.

"Quando comecei a escrever, foi para não me assustar tanto guardando tanto só para mim." (Página 5)
E - pegando o gancho do que estava falando sobre a citação anterior - escrever também é para mim uma maneira de mensurar. Só temos consciência da importância que algo tem para nós quando o expomos. Guardar faz com que esse algo  - principalmente se for negativo - se torne maior do que é de fato. Escrever não resolve nenhum problema, mas te mostra o caminho para a solução de todos eles.

"Pode parecer papo de velha, e claro que a coisa piora com a idade. Mas eu já pensava essas coisas aos quinze anos. Eu sempre pensei essas coisas, desde que comecei a pensar coisas." (Página 8)
Eu já pensava essas coisas aos 5 anos quando abraçava o meu pai de olhos abertos na esperança de registrar aquela cena eternamente na minha mente. Eu já pensava essas coisas aos 5 anos quando - como se estivesse rezando um terço eterno - pedia para Deus proteger o meu pai 24h por dia na minha mente (faço isso até hoje acrescentando meus irmãos e meu noivo). Eu já pensava essas coisas aos 5 anos quando decidi que não repetiria os erros da minha mãe. [...] Eu já pensava essas coisas.

"Como se faz para ir a qualquer lugar sem achar isso gigantescamente insuportável? Sem ficar cansada antes mesmo de ir?" (Página 10)
No ápice das minhas crises essa se torna uma tarefa árdua e é uma das coisas que mais me incomoda por dificultar o cumprimento das minhas obrigações diárias.

"A ansiedade é como se existir fosse uma crise de abstinência de algo que não existe” (Página 58)
"O pânico é a necessidade urgente de uma cama que não existe." (Página 62)

"Meus pais estão envelhecendo e isso é triste e assustador." (Página 11)
É desesperador imaginar a minha vida sem o meu pai. Me dá uma aflição tão intensa que só de estar escrever sobre me causou palpitação. Não vou me estender porque realmente não sou capaz, mas espero nunca precisar sentir a dor real de perdê-lo.

"Me toquei de que todos nós morreríamos, minha mãe morreria, eu morreria, aquele casal na minha frente morreria, o cara que eu estava tentando esquecer (e que ideia ir sozinha para Paris!) morreria, o bebê cantor Jordy talvez já tivesse morrido, porque nunca mais se falou dele, e comecei a de fato passar muito mal." (Página 12)
Essa foi a descoberta mais dura da minha vida. A morte é a nossa única certeza, porém nunca havia refletido sobre o que ela significava de fato porque a minha fé era maior do que meus medos. Quando isso mudou e me dei conta do inevitável destino de todos nós foi como se minha mente implodisse. E até hoje tento me reconstruir em meio aos escombros que restaram após toda a destruição.

"É como se minha mente fosse uma chaleira e, de repente, apitasse antes de derramar." (Página 19)
Além de refletir em excesso, eu também penso em todas as possibilidades ruins que podem acontecer com 3 objetivos: 1) tentar impedir que ocorra simplesmente porque me antecipei 2) tomar uma atitude que impossibilite tal fato 3) não ser pega de surpresa. É uma neurose diária, ininterrupta, angustiante e dolorida.

"Eu poderia parar, mas não é o caso. Poderia não pegar outro quadradinho do chocolate. Não é nem pelo prazer, é para “fazer parar”. Acabar com o chocolate para que eu não fique com o pensamento apitando: “tem lá um chocolate”." (Página 84)
Fiquei muito assustada ao ler isso porque SEMPRE fui assim e nunca entendi muito bem o motivo. Enquanto meu irmão comia um quadradinho do chocolate e guardava o resto para depois, eu enfiava tudo na boca porque não conseguia parar de pensar que havia um chocolate na geladeira.

"As pessoas rasas são mais felizes, mas elas nem sentem isso de verdade porque são rasas, então não vale." (Página 88)
E, dentre todas as citações que separei, essa foi a mais reconfortante. Uso muito o termo "pessoas rasas" na minha vida (Léo que o diga 😂) e foi a primeira vez que vi/li alguém o utilizando. Espero não estar sendo redundante, mas é impossível não destacar o quão maravilhoso é não se sentir intelectualmente solitária (não que eu seja um gênio, só não encontrei uma palavra melhor para me expressar 😂). 


CONCLUSÕES FINAIS: Nunca havia me identificado tanto com um livro quanto me identifiquei com esse e acredito que grande parte das pessoas que sofrem de ansiedade também se identificarão, porém se eu tivesse que escolher apenas um grupo de pessoas para recomendá-lo, escolheria aquele dos que convivem com o(s) ansioso(s). Às vezes esquecemos que enfrentar esse mal é tão difícil para nós quanto para quem está ao nosso lado e muita das vezes a intensidade dos sentimentos nos impede de explicá-los e - consequentemente - de sermos compreendidos. Acredito que esse livro possa dar um norte para quem está disposto a ajudar quem ama.


E é isso.

Até a próxima!

Beijos,
Isabella Proença.

sábado, 3 de junho de 2017

Sorrisos Quebrados

sábado, junho 03, 2017 2

  • Editora: Publicação independente (eBook).
  • Número de Páginas: 286.
  • Autor: Sofia Silva.
Paola:
Perante Deus, o meu marido prometeu me amar.
Cuidar de mim. Ser meu amigo.
Perante todos, disse que me amava. Que íamos ser felizes.
Viver para sempre juntos.
Mentiu em tudo.
Até que um dia, perante mim, ele disse que ia me matar. E não mentiu.
A partir desse dia vivi escondida no meu mundo, até o André aparecer.

André:
Não procurava nada. Não queria ninguém.
Não depois de tudo que vivi.
O meu coração estava escondido na escuridão, até a Paola surgir com as suas cores, pintando a minha vida.

Sorrisos Quebrados é um romance colorido entre duas pessoas Quebradas por relacionamentos passados.

Uma história de superação dos próprios medos e promessas.


Por que existem pessoas tão cruéis na Terra? Como elas são capazes de quebrar aqueles que juravam amar incondicionalmente?

E depois... Há como viver em pedaços?

Eles viviam.

Até se encontrarem.

[...] 

Sorrisos Quebrados não é baseado em uma história real específica, porém chama nossa atenção para um assunto extremamente importante e delicado: relacionamentos abusivos e suas consequências.

Lendo o prólogo senti uma facada em meu coração e diversos socos na boca do meu estômago.

É pesado, é violento, é doentio e seria surreal se não retratasse a realidade de milhares de mulheres e homens que sofrem diariamente. 

Através da leitura do mesmo nos é apresentada a personagem principal, Paola, no momento de seu óbito.

Sim, ela morre.

Mas sobrevive.

"Todos os dias é um recomeço.
Todos os dias renasço.
Todos os dias me levanto.
Todos os dias não desisto.
Todos os dias vivo como se não tivesse 
Todos os dias."

Seis anos se passaram e há dois ela vive em uma Clínica Psiquiátrica por opção. A morte deixou irreversíveis sequelas interna e externamente. Ela já não suportava mais os olhares culposos, penosos e temerosos de seus amigos e familiares.

Impossível julgá-la.

No sexto aniversário de seu falecimento, no meio de um surto, Paola e André se encontram pela primeira vez. Ele também foi quebrado, mas seu exterior está intacto. Alto, musculoso, moreno, viril. Características que atrairiam qualquer outra mulher que o visse, mas que a amedrontaram e intimidaram.

Porém não são seus próprios problemas que o trazem a Clínica e sim os de sua filha, Sol, que tem apenas 4 aninhos de idade e traumas severos que a fizeram se fechar completamente para o mundo exterior.

Com Paola tudo é diferente.

"A felicidade da minha pequena é visível e me dá um aperto no peito, porque a minha filha é tudo menos uma criança feliz. Dentro de casa e comigo ela ri e brinca, conversamos e passeamos juntos, mas com outras pessoas nada acontece. Ela não fala com ninguém, tem medo de estranhos e mesmo as crianças da sua idade a assustam."

As duas criam um elo instantâneo e inquebrável, onde se ajudam mutuamente de uma forma encantadoramente natural. É lindo. André fica intrigado e ao mesmo tempo grato, enquanto os médicos percebem uma evolução considerável no quadro de ambas. 

A aproximação entre André e Paola é mais complexa. Ela tem medo dele. Ele é grande e forte. Ela é pequena e frágil.

Mas ele insiste. Com respeito, carinho e cuidado. Ele quer entendê-la e para isso tenta fazer com que ela o entenda. Os limites não são ultrapassados. As conversas são curtas e objetivas. As atitudes falam por eles. Ele a admira por fazer sua filha feliz. Ela o admira pelo pai que é.

Aos poucos as barreiras vão sendo derrubadas, os pensamentos vão sendo compartilhados e as histórias de vida de cada um vão sendo reveladas.

Por que não juntar os pedaços?

"Eu só preciso ter alguém comigo por uma noite para dar luz à minha vida."

É difícil encontrar palavras para expressar com exatidão o quanto esse livro me tocou. Apesar de abordar temas tão duros a escrita é levemente poética, tornando os relatos mais íntimos e envolventes. 

Os personagens são apaixonantes e acompanhá-los é um presente que nos ensina muito sobre o valor da vida e a importância do amor verdadeiro.

É motivador vê-los vencendo seus demônios do passado e pintando um futuro fluorescente e iluminado por um lindo raio de Sol.

"O universo pode ser um lugar escuro, mas basta uma estrela para iluminá-lo."


Paola, André e Sol.
Três estrelas.
Obrigada por iluminarem - e colorirem - a minha vida.

"Sou eu, desenhando degraus na vida da Sol porque ela é o maior projeto."

sábado, 27 de maio de 2017

Mil Beijos de Garoto – A Thousand Boy Kisses

sábado, maio 27, 2017 2
Créditos da imagem: Na estante da Fabi.
  • Editora: Outro Planeta;
  • I.S.B.N.: 9788542209822;
  • Número de Páginas: 400;
  • Ano da edição: 2017;
  • Autor: Tillie Cole;
Um beijo dura um instante.
Mas mil beijos podem durar uma vida inteira.

Um garoto.
Uma garota.
Um vínculo que é definido num momento e se prolonga por uma década.
Um vínculo que nem o tempo nem a distância podem romper.
Um vínculo que irá durar para sempre.
Ou assim eles acreditavam.
Quando, aos dezessete anos, Rune Kristiansen retorna da Noruega para o lugar onde passou a infância – a cidade americana de Blossom Grove, na Geórgia –, ele só tem uma coisa em mente: reencontrar Poppy Litchfield, a garota que era sua cara-metade e que tinha prometido esperar fielmente por seu retorno. E ele quer descobrir por que, nos dois anos em que esteve fora, ela o deletou de sua vida sem dar nenhuma explicação.
O coração de Rune foi quebrado quando Poppy ficou em silêncio. Quando ele descobrir a verdade, entenderá que a maior dor ainda está por vir.


"Tão especial quanto especial pode ser."

Esse livro é magnífico.

Tão encantador, tão puro, tão cheio de amor.

Um amor legítimo e de tirar fôlego de uma maneira quase espiritual.

Rune e Poppy são almas gêmeas que se encontraram e se conectaram aos 5 anos de idade.

Quando o rebelde menino de longos cabelos loiros e belíssimos olhos azuis reclamava em frente a sua nova casa, revoltado por ter sido obrigado a se mudar da Noruega para os Estados Unidos, encontrou uma simpática menina de olhos verdes enormes e laço no cabelo que lhe contagiou com sua alegria.

"Eu sou Poppy Litchfield e você é Rune Kristiansen. Este é um aperto de mão. A minha vovó me disse que é o que você faz quando você não conhece alguém. Agora nós somos amigos. Melhores amigos."

Naquele momento ele aceitou, abraçou e amou a nova vida que estava por vir.

"Talvez Georgia não fosse ser tão ruim, afinal, pensei, não se eu tivesse Poppy Litchfield como a minha melhor amiga."

Quando eles tinham 8 anos e a vovó de Poppy estava prestes a voltar pra casa, Poppy foi presenteada por ela com um pote, mas não se tratava de um pote comum... Era o 1000 beijos-de-menino.

"Este frasco é para você gravar seus beijos-de-menino, Poppy. Todos os beijos que fazem seu coração quase explodir, os que são os mais especiais, os que você quer se lembrar quando você estiver velha como eu. Os que vão fazer você sorrir quando você se lembrar deles em sua mente. Quando você encontrar o menino que será seu sempre para sempre, cada vez que você receber um beijo muito-especial dele, tire um coração. Anote onde você estava quando você foi beijada. Então, quando você for uma vovó também como eu, o seu neto, seu melhor amigo, pode ouvir tudo sobre eles, assim como eu lhe disse tudo sobre os meus. Você vai ter um frasco de tesouro de todos os beijos preciosos que fizeram o seu coração disparar."

Poppy e Rune partilhavam todas as suas aventuras e quando ela contou para ele sobre essa, sentimentos novos afloraram em seu coração e o fizeram tomar uma decisão. 

"Eu vou te dar mil beijos, Poppymin. Todos eles. Nunca ninguém vai te beijar, mas eu sim."


E se antes eles já eram inseparáveis, a partir daquele momento se tornaram duas metades de um mesmo coração.

Aos 15 anos tudo ruiu.

O pai de Rune foi transferido temporariamente de volta para Oslo (cidade da Noruega) devido a uma falha na empresa e só o avisou na véspera da viagem.

"Nós somos uma família, Rune. Nós não vamos nos dividir por tanto tempo. Temos de ir. Nós somos uma família."

A separação era iminente, inevitável e dolorosa.

"Talvez nós sejamos como a flor de cerejeira, Rune. Como estrelas cadentes. Talvez nós tenhamos amado demasiadamente jovens e brilhado tanto que tivemos que desaparecer."

Mas eles prometeram um ao outro que não seria o fim, que se falariam todos os dias e que esperariam o tempo que fosse preciso.

A distância seria só um detalhe, pensei, se o que eles sentiam era tão avassalador quanto as palavras demonstravam, iriam resistir.

"Beijo número 356. Com o meu Rune em sua garagem... quando ele me deixou."

E resistiram durante dois meses.

Até que Poppy se calou, deixando Rune amargurado, vazio e sem respostas.

"Foi o segundo momento que definiu a minha vida.
Uma vida sem Poppy.
Sem infinito.
Sem sempre para sempre.
Somente… nada."

Dois anos depois o pai de Rune foi transferido de volta para Geórgia, definitivamente.

Rune voltou com inúmeras perguntas.
Poppy receou respondê-las.

Um reencontro, uma conversa, duras descobertas e, por fim, compreensão.

Poppy ainda precisava encher seu pote com beijos de explodir o coração e Rune decidiu ajudá-la em todas as aventuras que ela desejava viver. 

E a partir daí, o amor transborda em cada palavra, cada linha.

Emoção, carinho, superação, aceitação, força.

"Eu sou essa garota, Rune. Aquela que espera a tempestade simplesmente para ter um vislumbre de um arco-íris. Por que ser miserável quando você pode ser feliz? É uma escolha óbvia para mim."

Essa história me tocou profundamente por diversos motivos. Tanto Poppy quanto Rune nos dão constante lições valiosas no decorrer dos capítulos. A sensibilidade que a autora teve ao escrevê-la é mágica.

Caso decidam lê-la estejam preparados para sentir toda a dor e todo amor do mundo ao mesmo tempo.

Eu amei absurdamente.
Eu chorei absurdamente.
E, no fim, tive paz.

"— É como a música, — explicou ela. — Quando eu olho para você, quando você me toca, quando eu vejo seu rosto... Quando nos beijamos, meu coração toca uma música. Ele canta que precisa de você como eu preciso de ar. Ele canta para mim o quanto eu adoro você. Ele canta que eu encontrei a parte perfeita dele que faltava."

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Trilogia 'Não pare!'

quinta-feira, maio 18, 2017 5
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim!

O post de hoje é especial por 2 motivos: 1) é a primeira vez que resenho uma trilogia 2) se tornou a minha favorita e não via a hora de compartilhá-la com vocês.

Nunca fui fã do gênero fantasia e se não fosse pela minha supervisora do estágio provavelmente não teria tido nenhum interesse em ler esses livros, então deixo aqui registrada a minha gratidão a Bianca! <3 


"Nina Scott não suportava mais a vida nômade e solitária que sua mãe, Stela, a obrigava a ter. Mudar de cidade ou de país a cada piscar de olhos, conviver com tantas perguntas que a consumiam, assombrada por mistérios de um passado guardado a sete chaves. Agora, aos 16 anos, a garota das estranhas pupilas verticais exigia respostas.
E, para sua péssima sorte, elas já estavam a caminho!
Quando Stela decide ficar em Nova York, Nina acredita que seu sonho de ter uma vida normal vai se tornar realidade. Finalmente terminará o ano letivo em um mesmo colégio, poderá fazer amigos sem ter que abandoná-los em seguida, viver um grande amor, amadurecer, criar raízes... Enfim, curtir a adolescência.
Mas o “normal” está muito longe da vida de Nina!
Perdida no olho de um furacão de mortes e inexplicáveis acidentes, tendo que esconder os terríveis fatos da mãe paranoica, Nina começa a desconfiar da própria sanidade mental, de tudo e de todos. O que explicaria os paralisantes calafrios, a perda de visão e de memória que experimentava sempre que alguém morria ao seu redor? O que ela teria a ver com os bizarros e sobrenaturais acontecimentos? Estariam eles interligados?
Seria a Morte sua companheira para toda a vida? É chegada a hora da verdade.
Nem tudo é o que parece ser. Perigo. A vida depende da Morte. Sedução. Não há onde se esconder. Medo. Olhos de um fascinante azul-turquesa espreitam. Paixão. Uma nova dimensão será aberta. Suspense. Cenários deslumbrantes e passagens infernais. Ação.
É de tirar o fôlego.
Viva este quebra-cabeça...Enquanto você pode."



Não sabia o que esperar dessa trilogia e fui pega de surpresa com o quão envolvida me senti desde as primeiras páginas lidas. Há muito mistério envolto e o clima de tensão é constante, tornando todos os acontecimentos intensos e nos deixando, literalmente, sedentos por mais. 

O primeiro livro (Não pare!) cumpre com perfeição o seu papel de embarque. É como se ele nos convencesse a entrar em um avião sem saber seu destino final. Nos faz criar diversas teorias e joga cada uma delas por terra, até aceitarmos que não há outra opção além de nos darmos por vencidos e subir a bordo.

“Como a morte poderia ser tão bela? O certo seria que ela fosse horripilante, como nos filmes de terror.”

O segundo livro (Não olhe!) é uma completa, complexa, enlouquecedora, complicada, confusa e assustadora viagem! Adentramos em uma dimensão única que nos deixa alucinados. É ainda mais potente e surpreendente do que o primeiro. Tomamos conhecimento de uma realidade encantadoramente macabra e acompanhamos o processo de evolução de Nina. A descrença, o medo, a dor, os olhos azuis [...] se transformando em algo maior, mais forte. Há conflitos, batalhas, perseguição, fuga [...] e amor.  

"Fique tranquila. O que é para ser seu a ti retornará. É só uma questão de tempo."

O terceiro livro (Não fuja!) é a aterrizagem, mas está longe de ser um pouso comum. É turbulento e incerto até o último segundo. Todas as dúvidas são dolorosamente sanadas, todas as perguntas são cruelmente respondidas e a grande guerra tem um vencedor... E, é claro, um perdedor.

“Os sonhos nem sempre se realizam, Tesouro. Acostume-se. […] Você descobrirá que é perigoso demais dar crédito aos sonhos. Podem ser pesadelos disfarçados.”

Os personagens são apaixonantes e foi muito interessante acompanhar o amadurecimento de cada um deles. Vivi uma montanha-russa de sentimentos juntamente com Nina e, às vezes, por ela. 

Derramei algumas lágrimas, meu estômago embrulhou e senti um nó na minha garganta em vários momentos. Foi mágico sair do meu mundo. 

Não há como finalizar essa resenha sem exaltar a autora, FML Pepper. Tenho certeza que ela tem uma luz incrível, pois só pessoas iluminadas seriam capazes de redigir uma história maravilhosa como essa. Tudo me cativou: sua escrita inteligente e ambiciosa (fazendo uso de palavras que funcionarão perfeitamente quando traduzidas para outras línguas), sua criatividade imensurável, sua sensibilidade (não é qualquer um que consegue plantar - o amor - num solo infértil - a morte - de uma forma tão natural) e seu perfeccionismo. Ela não deixou nada passar desapercebido, tudo foi muito bem explicado.

"Amar um dia de cada vez.
Viver um dia de cada vez.
Alegrar-me com o hoje, com o agora, como se fosse o último instante da minha vida.
Experimentar a felicidade, aceitá-la apaixonadamente e de braços abertos sem saber o que será do amanhã. Viver o presente com alegria e esperança porque, como o próprio nome diz, ele é um presente de Deus. O grande prêmio de despertar a cada manhã, de amar e ser amado."

Essa viagem chegou ao fim e não vejo a hora de revivê-la... Desejo que a sua seja tão excelente e inesquecível quanto a minha.

sábado, 22 de abril de 2017

Ame o que é seu

sábado, abril 22, 2017 6
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Depois de muito tempo (nove meses, pra ser mais exata) trago a resenha de um livro.

A história de como o conheci é um pouco engraçada. Em 2015 estava na Bienal com o Léo olhando alguns stands quando me deparei com a capa abaixo - que me chamou atenção por ser bonita e leve. Ao analisar o título e a sinopse fiquei extremamente interessada em lê-lo, mas - por algum motivo que não recordo agora - não o comprei naquele exato momento. Andamos mais um pouco e passado alguns minutos decidi que levaria o livro, porém não o encontrei mais. Nós demos várias voltas na Bienal em busca do mesmo até que fomos vencidos pelo cansaço e desistimos. 

Ao chegar em casa o procurei em pdf e também não achei. Lembro de ter pensado "é, com certeza não devo lê-lo" e o deixei pra lá, porém favoritei a página de compra dele na Saraiva para o caso de resolver comprá-lo algum dia. 

[...]

Há algumas semanas estava no estágio conversando com a minha supervisora - que é uma devoradora de livros - e apresentei o Skoob (uma rede social colaborativa para leitores) pra ela. Ao entrar na minha conta o reencontrei na aba 'Quero ler' e através do site Le Livros finalmente consegui baixá-lo.


  • EDITORA: Novo Conceito;
  • I.S.B.N.: 9788599560532;
  • TRADUTOR: Elenice Araújo;
  • NÚMERO DE PÁGINAS: 320;
  • ANO DA EDIÇÃO: 2008;
  • AUTOR: Emilly Giffin;
Esta é uma história para quem já se perguntou: "como amar de verdade a pessoa que está comigo, se não consigo esquecer alguém que ficou no passado?".
O casamento de Ellen e Andy não parece perfeito, ele é perfeito. São inegáveis a profundidade da devoção mútua e o quanto cada um desperta o melhor no outro. Mas por obra do destino, certa tarde, Ellen revê Leo pela primeira vez em oito anos. Leo, o que revelou o pior nela. Leo, o que partiu seu coração sem se explicar. Leo, o que ela não conseguiu esquecer. O reaparecimento de Leo desperta sentimentos há muito adormecidos e Ellen se põe a questionar se sua vida atual é de fato como ela queria que fosse.



"Sempre que houver uma escolha, haverá uma dúvida". Todos os dias somos obrigados a tomar decisões: algumas corriqueiras e outras que definem o rumo da nossa vida.

Nesse livro nos deparamos com uma questão normalíssima, porém com suas particularidades: após 8 anos sem nenhum tipo de contato Ellen reencontra seu ex-namorado, Leo, a quem amou mais do que a si mesma e passa a questionar seus sentimentos por Andy, marido que toda mulher sonha em ter. A partir desse momento embarcamos num conflito interno que alguns considerariam extremamente simples e outros insolucionável: esquecer o passado e seguir em frente ou tentar novamente?

No início Ellen tenta anular seu sentimento por Leo de todas as formas, mas cada tentativa o torna mais intenso. Ela tem uma vida excelente, um marido incrível, a profissão dos seus sonhos e não consegue entender o que está acontecendo em sua cabeça (ou seria em seu coração?).

As lembranças do seu relacionamento com o Leo invadem sua vida de tal forma que não importa onde esteja ou o que esteja fazendo, ele continua presente.

Finalizei essa leitura há mais ou menos uma semana e confesso que não fui capaz de optar por um lado. Em alguns momentos torci para que ela se arriscasse com o Leo, em outros (poucos) quis que ela continuasse com o Andy e no final preferi que ela tivesse ficado sozinha.

Apesar de ser uma história muito bem escrita se torna inevitavelmente massante por ser narrada exclusivamente em primeira pessoa. Confesso que quase a abandonei por causa disso, porém o rumo dos acontecimentos me deixou curiosa o suficiente para continuar.

Não é um livro que recomendaria para qualquer pessoa pois é preciso se identificar com a situação para se envolver e refletir junto com a protagonista, mas dependendo da fase que você estiver atravessando pode te ajudar bastante.

Está bem longe de ter sido uma das minhas leituras favoritas e - devido ao tempo que demorei para conseguir lê-lo - me decepcionei muito com isso, porém é um bom passatempo para aqueles domingos frios que passamos embaixo do edredom.


"E talvez seja nisso que se resume tudo. O amor, não como uma manifestação de paixão, e sim como uma opção pelo compromisso com algo ou alguém, sejam quais forem os obstáculos pelo caminho. E talvez, ao fazer essa opção vez após vez, dia após dia, ano após ano, diga mais sobre o amor do que nunca ter de fazer escolha alguma."

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Depois de você

quarta-feira, julho 06, 2016 18
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CONTÉM SPOILERS DO PRIMEIRO LIVRO
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Criei uma expectativa enorme ao saber que 'Como eu era antes de você' tinha uma continuação, pois sempre que leio um livro fico tentando imaginar a vida do personagem após o final da história – a não ser que ele morra.


  • EDITORA: Intrinseca.
  • I.S.B.N.: 9788580578645.
  • NÚMERO DE PÁGINAS: 320.
  • ANO DA EDIÇÃO: 2016.
  • AUTOR: Jojo Moyes.
Quando uma história termina, outra tem que começar.
Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, 'Como eu era antes de você' conta a história do relacionamento entre Will Traynor e Louisa Clark, cujo fim trágico deixou de coração apertado os milhares de fãs da autora Jojo Moyes.
Em 'Depois de você', Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la.
Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.


Ele segue o mesmo estilo de escrita do anterior: envolvente e de fácil entendimento, narrado por Lou durante maior parte do tempo com algumas (poucas) exceções.

Lou estava no fundo do poço e parecia não querer sair de lá, ainda que seu corpo se deslocasse para outros lugares sua mente permanecia envolta na melancolia, na depressão e no vazio que fora deixado – o que era completamente compreensível.

A todo momento me coloquei no lugar dela, ao ponto de sentir o nó na garganta descrito e prender a respiração em momentos de tensão. Me identifico muito com ela, na verdade. E ver sua evolução me deu até uma certa esperança.

Apesar de ter seu carro, seu apartamento (comprados com o dinheiro que Will deixara), seu emprego em Londres e  ter viajado pela Europa, Lou não se sentia feliz, não sentia que estava vivendo.

O trabalho atual de Lou entrava pra sua extensa lista de empregos sem perspectiva que ela exercia por necessitar se ocupar. Entretanto ela já tinha superado a cafeteria e não reclamava do mesmo, até o novo gerente chegar e pressioná-la de todas as formas. 

Após o acidente horrível que lhe ocorrera – e que fora resgatada por um paramédico extremamente acolhedor – Lou passou algumas semanas na casa dos seus pais, o que foi um pouco complicado considerando o fato da casa de Will ser cheia de lembranças e estar a uma curta distância.

Gosto muito da família da Lou, como disse na resenha de 'Como eu era antes de você' eles me lembram uma típica família brasileira apesar de serem ingleses e me arrancam boas risadas. 

O pai de Lou só a deixou voltar para Londres caso ela frequentasse uma espécie de grupo de ajuda que compartilha suas histórias de luto e luta. O que abrilhanta a história abordando um tema tão complicado e abrangendo diversas personalidades e formas de lidar com essa dor tão devastadora. 

Lou reencontra seu salvador, o paramédico Sam, com quem tem uma ligação quase instantânea, porém surge o receio de se entregar, mesmo após 1 ano e meio. Medo de se envolver, porque se envolvendo a possibilidade de perda e consequentemente de dor é maior.

Os pais de Will Traynor traçaram caminhos diferentes após a morte do filho - o que já era esperado - e nesse livro conhecemos o lado deles, principalmente da Sra Traynor, que ela ocultara a todo custo enquanto Will estava vivo.

Os pais de Lou estão vivendo uma turbulência no casamento após sua mãe ter contato com um movimento ideológico, mas não é nada muito sério e pra mim não foi nem um pouco relevante, mas como sei que há quem tenha achado interessante resolvi destacar. 

Nathan aparece pouco, mas suas aparições são sempre decisórias e uma delas pode mudar completamente o rumo da vida de Lou, porém ela como sempre se esquiva e nega perceber isso.

O restante dos personagens é deixado em segundo plano pois o livro acaba girando em torno de um elemento surpresa, que toma conta também da nossa mente de leitor e atiça nossa curiosidade. 

Preciso dizer que fiquei surpresa com o rumo que a história tomou após a morte de Will e isso me empolgou bastante, porém confesso que o desenvolvimento desse elemento surpresa me decepcionou um pouco em alguns pontos que considerei rasos e superficiais.

O final desse livro me trouxe paz. Me deu esperanças e passou uma linda mensagem. Após a chuva vem o arco íris, mas você precisa abrir a janela para vê-lo.

Fiquei triste por não haver um terceiro livro, mas a magia da história e darmos nos mesmos um rumo a ela.

Esses livros foram os dois primeiros que li da Jojo Moyes no feriado de Corpus Christi de 2016.

Recomendo a todos.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Como eu era antes de você

sexta-feira, junho 10, 2016 8
Já havia visto muitas pessoas comentando sobre esse livro, mas ele entrou oficialmente na minha wishlist graças à resenha da minha amiga Leidiana Pereira, do blog Diário da Lady. O problema é que estava faltando tempo para lê-lo.

Na quinta-feira (26/05/2016) tivemos o feriado de Corpus Christi e - como trabalho em escritório - a empresa enforcou a sexta-feira e aproveitei para começar a lê-lo.


  • EDITORA: Intrinseca.
  • I.S.B.N.: 9788580573299.
  • TRADUTOR: Beatriz Horta.
  • NÚMERO DE PÁGINAS: 320.
  • ANO DA EDIÇÃO: 2013.
  • AUTOR: Jojo Moyes.
Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.


A leitura é envolvente e de fácil entendimento. O desenvolvimento da história é muito interessante e a forma como a autora consegue criar uma identidade para cada personagem é surpreendente. O livro é narrado pela personagem principal na maior parte do tempo, mas há alguns capítulos em que outros personagens o fazem - o que torna a interpretação leve e nos possibilita explorar todos os lados da trama com facilidade.

Já imaginava que o enredo seria emocionante, porém esperava um romance clichê e fico imensamente feliz ao admitir que errei feio no meu pré-julgamento. A autora teve a sensibilidade e a consciência de nos mostrar a realidade vivida pelos tetraplégicos, diferente de muitos outros romances que abordam algum tipo de deficiência e acabam focando mais na dificuldade causada ao casal do que no drama vivido pela pessoa.

A impressão que tive de Will Traynor é de que ele havia alcançado a vida que sempre sonhou e que o que o atormetava após o acidente não era tê-la perdido e sim não haver possibilidade de recuperá-la. Me coloquei no lugar dele involuntariamente em alguns momentos e passei a respeitar não só a ele, mas também suas vontades.

"E sabe o quê? Ninguém quer ouvir esse tipo de coisa. Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorado com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto claustrofóbico estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louco só de pensar em passar mais um dia assim."

Por outro lado, Louisa Clark desenvolveu um sentimento único por ele. Não o amor que estamos acostumados a ler, mas sim algo puro. Will não mudou Lou... Will enxergou o potencial  que ninguém jamais enxergara nela, Will expandiu a visão que ela tinha sobre a própria vida, Will a ajudou a se descobrir. Como ela seria capaz de respeitar uma vontade tão devastadora que os afastaria eternamente? No lugar dela, eu agiria da mesma forma.

“Seu corpo era apenas uma parte do pacote completo, algo para se lidar de vez em quando, em intervalos, antes de voltarmos a conversar. Para mim, tinha se tornado a parte menos interessante dele."

Creio que esse seja o motivo de eu ter me conectado tanto a essa história: Ainda que Will não tenha narrado nenhum dos capítulos, pude entender ambos os lados e concordar com cada um deles.

Essa é, inclusive, a única queixa que tenho a fazer sobre o livro: Senti falta de uma narração do Will após a decisão definitiva dele. Fiquei na expectativa que isso ocorresse quando o fim do livro começou a se aproximar, mas não aconteceu. Talvez para prolongar a tensão, mas ainda assim acho que teria sido interessante que ele mesmo externasse seus medos, receios ou até mesmo a ausência deles.

A vida da família Traynor foi totalmente abalada após o acidente de Will. A condição financeira deles os possibilitava dá-lo os melhores tratamentos, mas isso não era o suficiente. Will os apartou totalmente e eles não sabiam mais o que fazer para tentar mudar isso e, sem dúvidas, quem mais sofria com a situação era sua mãe, Camila Traynor.

“É só que o que não se pode compreender a respeito da maternidade, até que se tenha um filho, é que não é um adulto — o deselegante, barbado, fedorento, filho teimoso — que a mãe vê diante de si, com seus recibos de estacionamento, seus sapatos não engraxados e sua complicada vida sentimental. A mãe enxerga todas as pessoas que o filho já foi ao longo da vida reunidas em uma só.”

A família Clark é bastante unida e se parece muito com uma típica família brasileira - apesar de serem ingleses. A maior parte do humor do livro fica por conta deles e, falando nisso, 'Como eu era antes de você' engloba todos os gêneros de forma ordenada e eles funcionam estranhamente bem. Muitas vezes dei risada enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto - sim, chorei.

Ainda falando sobre humor, o humor ácido de Will me faz lembrar o House (da série House M.D.). Na verdade a grosseria e o mau-humor que ele usa como artifício para manter as pessoas longe e camuflar o sofrimento e a dor interminável também me remete ao médico mais amado do mundo.

"Meu cérebro não está paralisado. Ainda."

O namorado de Lou, Patrick, parece não estar no ambiente mesmo quando está. Ele não se encaixa na história e acho que essa foi a intenção da autora. Em alguns momentos senti pena dele, mas era óbvio que ele e a Lou não tinham mais nada a ver e só estavam juntos por costume e pelo conforto que todos os anos juntos os proporcionou.

Nathan, enfermeiro de Will, não tem sua origem muito aprofundada, mas acolheu Lou desde o início e - até ela chegar - era a pessoa mais próxima de Will. Ele está sempre com os dois, como se fossem os três mosqueteiros! Rs. Acho isso muito legal.

O livro nos dá um tapa indireto e sutil na  cara, pois inevitavelmente reforça a ideia que independente do problema que temos sempre tem alguém pior que nós, porém não se engane, não é um livro de autoajuda, nem de drama, nem de romance e nem de nenhum outro tema pré-determinado. É um livro de vida e na vida há de tudo.

"Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível.”

Recomendo a todos, mas não esqueçam de separar os lencinhos pois o choro inevitável.

Caso você prefira filmes, o filme será lançado esse mês, dia 16. Abaixo estão os trailers oficiais do mesmo.




Eu prefiro livros pois na maioria das vezes muito se perde quando a história é passada para as telonas. Me forcei a lê-lo antes de assistir ao filme exatamente por esse motivo.

sábado, 21 de novembro de 2015

O menino que via demônios

sábado, novembro 21, 2015 12
Em dezembro do ano passado eu e meu namorado estipulamos algumas metas pra 2015 e uma delas era ler, no mínimo, um livro por mês.

Fomos até a Biblioteca em janeiro para escolhermos os livros que iríamos ler de início. Ele logo pegou um que falava sobre o Nazismo e eu estava numa dúvida tremenda... Até que uma capa, quase infantil, me chamou atenção.

Meu namorado a achou simples e boba, porém senti um clique dentro de mim... Não sei explicar. E, ao ler a sinopse, minhas dúvidas acabaram... Era esse!


  • Peso: 0.43 Kg;
  • Editora: Rocco;
  • I.S.B.N.: 9788532528131;
  • Altura: 21.00 cm;
  • Largura: 14.00 cm;
  • Profundidade: 1.00 cm;
  • Idioma: Português;
  • Tradutor: Geni Hirata;
  • Cód. Barras: 9788532528131;
  • Ano da edição: 2013;
  • Autor: Jess-cooke, Carolyn;
"Meu nome é Alex. Tenho dez anos de idade. Gosto de cebolas fritas com torradas e posso me balançar nas pernas traseiras da minha cadeira durante catorze minutos. Eu posso ver demônios, também. Meu melhor amigo é um deles. Ele adora Mozart, tênis de mesa e pudim de pão. Minha mãe está doente. Ruen diz que pode ajudá-la. Só que ele precisa que eu faça uma coisa bem ruim. Ele quer que eu mate uma pessoa."

Alex Broccoli mora numa das áreas mais pobres de Belfast, em meio à violência e à angústia geradas por um longo período de agitação política na Irlanda do Norte.

Filho único, ele é premido por enormes desafios e precisa superar obstáculos como o desaparecimento do pai e as sucessivas e frequentes tentativas de suicídio da mãe. Seu único amigo é Ruen, um demônio.

Anya Molokova é a psiquiatra designada para cuidar de Alex. A terapeuta, que ainda guarda cicatrizes da batalha travada com a esquizofrenia da própria filha, tenta convencer o menino de que Ruen não existe. Inteligente, sensível e firme em suas crenças, ela se vê forçada, no entanto, a mudar de ideia quando Alex lhe faz espantosas revelações sobre a vida dela, a respeito das quais ele nada poderia saber.

“Sei o que você está pensando: Sou maluco e o Ruen existe por inteiro em minha cabeça (…). Que Ruen é um amigo imaginário que eu inventei por ser solitário. Bem, você estaria redondamente enganado se pensasse assim. Embora às vezes eu realmente me sinta solitário.” (Página 23)


Foi um dos melhores - se não o melhor - livro que já li em toda a minha vida e não li poucos. Uma palavra que o define é SURPREENDENTE. A história já é promissora por si só, porém a forma que a autora desenvolve é fenomenal, te prende.

Apesar de abordar um assunto tão delicado/complexo, a linguagem é super simples e fácil de ler... Há várias citações que nos fazem refletir entre os capítulos.

Não há como não se apegar ao Alex. Ele é super sincero - o que às vezes o tornava engraçado e outras me deixava triste com toda a situação - e bastante inteligente pra idade. 

O que te instiga é saber o que Ruen quer de Alex e Anya, a psiquiatra. Ele faz um jogo psicológico tão forte que afeta não só os personagens, mas também nós, leitores. Você quer acreditar no Alex, só que reflete e concorda com Anya para algumas páginas depois mudar novamente de opinião.

Em momento algum o livro nos força a crer em nenhum tipo de religião, acreditar ou não em Ruen vai de cada um. Porém mesmo que o fizesse, continuaria sendo uma história que muda sua perspectiva de vida após a leitura.

Esse é o tipo de livro que eu recomendo pra qualquer pessoa, independente dos seus gostos literários. Vale super a pena, se tiverem um tempo disponível o leiam!

“A maior peça que o diabo já nos pregou foi nos convencer que ele não existe." (Charles Baudelaire)

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