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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Depois a louca sou eu

segunda-feira, abril 09, 2018 0
Estava numa dúvida tremenda sobre qual livro ler porque na verdade nenhum havia chamado minha atenção (e os que estão na minha wishlist literária ainda estão muito caros 😂), até que me deparei com a autora Tati Bernardi e automaticamente voltei no tempo.

Conheci a Tati em 2009/2010, quando me apaixonei pela primeira vez e não fui correspondida da forma que deveria. Me identificava com os textos dela num nível "meu Deus, alguém invadiu minha mente e expôs tudo o que estou vivendo e sentindo". Já chorei, sorri, gargalhei e chorei mais um pouco lendo cada uma de suas palavras e em alguns momentos (aqueles em que ninguém aguenta mais ouvir o nome do fulano) elas foram minha única companhia. 

Sempre amei escrever e - como me identificava com ela - passei a também me inspirar. Algo como "o que a Tati diria sobre isso?" inconsciente. Frases como "a vida fica surda sem você porque o volume do mundo abaixa para ouvir o meu grito interno" "não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que quero dizer" "o fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim" "eu passo quieta por você, você passa quieto por mim e eu ainda escuto o barulho que a gente faz" "talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor só para nunca deixar de ser amor" e textos como "a rede social" e "eles se amam" marcaram (literalmente - em todos os sentidos da palavra) a minha vida.

Infelizmente meus textos antigos foram excluídos-definitivamente-sem-sequer-uma-porra-de-backup há alguns anos num momento de surto quero-apagar-o-fulano-da-minha-existência-porque-ele-é-um-inútil-e-não-merecia-ter-me-conhecido combinado com ciúmes irracionais do meu namorado da época (hoje noivo), mas alguns - modéstia a parte - realmente pareciam ter sido escritos (ou ao menos supervisionados) por ela.

Há 6 anos atrás quando minha mãe veio para o Brasil (ela mora em Portugal) fomos na livraria Travessa do Barra Shopping e eu estava louca atrás de um livro da Tati Bernardi. Já havia procurado em diversas livrarias de shoppings da Baixada Fluminense, Zona Sul e Zona Norte e não encontrava de jeito nenhum. Me enchi de esperanças de achar lá por ser uma livraria enorme e - para minha felicidade absoluta - finalmente tinha! 'A menina da árvore'. Estava super empolgada até minha belíssima mãe olhar para o livro e dizer "não vou comprar, cultura inútil". Que ó-d-i-o! Mas aos 16 e sem nenhum centavo no bolso, não tinha muito o que questionar. No fim acabei levando Cinquenta Tons de Cinza (rs). Ainda não era famoso, nunca havia ouvido ninguém falar sobre, mas a capa me chamou atenção, mostrei a descrição pra ela e ela aprovou. Não vimos o aviso de conteúdo erótico, só descobri quando cheguei em casa e pesquisei sobre ele. Irônico, não? "Cultura inútil", aff!

Nesse mesmo ano (2012) comecei a namorar com meu atual noivo e passei por uma fase feliz-demais-para-ler-Tati-Bernardi que ia e voltava com frequência, até que depois de uns 2 anos se estabeleceu e permaneceu até dia 20/02/18 (data em que comecei a ler esse livro) - com exceções dos momentos de nostalgia. E foi nesse mesmo dia conheci um lado da Tati que eu nunca havia explorado e que hoje me identifico bastante: o monstro da ansiedade.


EDITORA: Companhia das Letras;
• I.S.B.N.: 9788535926576;
• NÚMERO DE PÁGINAS: 144;
• ANO DA EDIÇÃO: 2016;
• AUTORA: Tati Bernardi;

SINOPSE: "Em Depois a louca sou eu, Tati Bernardi escreve sobre a ansiedade com um estilo escrachado, ágil, inteligente e confessional. As crises de pânico, a mania de organização, os remédios tarja-preta e os efeitos da ansiedade em sua vida aparecem sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar e, sobretudo, humor.
Tati consegue falar de um tema complicado, provocar gargalhadas e ainda manter o pacto de seriedade com o leitor. A capacidade de rir de si mesma confere a tudo isso distância, graça e humanidade. Depois a louca sou eu é a entrada em cena de uma escritora que ombreia com os melhores da nova literatura brasileira."


RESENHA: A experiência de ler esse livro no ápice da crescente da minha ansiedade foi sadicamente interessante. Em alguns momentos senti que devia dar uma pausa, mas queria continuar lendo e - assim como quando eu era criança e colocava sal em meus machucados - apesar dos pesares continuei ininterruptamente.

O livro reúne uma série de histórias reais vividas pela Tati onde o medo foi seu maior rival. Momentos em que ela travou lutas internas contra o monstro da ansiedade enquanto precisava desempenhar suas tarefas rotineiras simultaneamente. Dias em que a desesperança e o desespero tomaram conta do seu ser por razões que certamente causariam estranheza àqueles que respeitam suas bordas mentais, mas que gerariam uma inexplicável sensação de conforto àqueles que - assim como eu - violaram toda e qualquer delimitação psíquica - não por satisfação pela martirização alheia e sim pela companhia em meio ao infindável abismo da solidão psicológica.

Porém não se deixe enganar pelas minhas profundas e tristonhas reflexões: a abordagem que a Tati utiliza para descrever todas essas situações é tudo, menos deprimente. Um humor tão ácido quanto sincero que dá sentido à expressão "rir para não chorar". Ri, chorei, gargalhei, sofri e - no fim - sorri.

Está a anos-luz de ser um livro de autoajuda, mas para mim funcionou como tal. Algumas crises foram desencadeadas durante e após a leitura devido a descrição minuciosamente detalhada do turbilhão de pensamentos que regem meus piores pavores, porém elas foram - na medida do possível - benéficas pois passei a me permitir senti-las em vez de somente temê-las. Minha visão se expandiu e esse foi o pontapé inicial para que eu tomasse decisões importantes sobre o rumo da minha vida me baseando única e exclusivamente nas minhas próprias vontades.


Ao acessar o arquivo de clippings do meu Kindle me assustei com a quantidade de trechos destacados pois - por não ter conseguido definir quais foram os meus capítulos favoritos - decidi comentar brevemente sobre cada uma das citações que mais me identifiquei e - como foram várias - precisei reduzi-las ao máximo. Restaram 11 e, ainda que continue sendo muita coisa, tive que deixar no mínimo 10 de fora. A frase que utilizei no início dessa postagem ("meu Deus, alguém invadiu minha mente e expôs tudo o que estou vivendo e sentindo") nunca fez tanto sentido.

CITAÇÕES:

"Escrevo para saber que tenho bordas, como um morto na cena do crime. Talvez escrever me salve diariamente de não enlouquecer de verdade." (Página 5)
Ter lido essa frase logo no início do livro me impactou profundamente e me fez viajar no tempo. Lembrei de todas as razões que me levaram a começar a escrever e concluí que, de fato, sem a escrita teria sido impossível superar algumas situações. Interpretei o "bordas" como limites pois o ato de colocar no papel nossos sentimentos e pensamentos faz com que tenhamos uma visualização palpável do que somos - o que, ao menos para mim - é impossível fazer de outra forma senão essa.

"Quando comecei a escrever, foi para não me assustar tanto guardando tanto só para mim." (Página 5)
E - pegando o gancho do que estava falando sobre a citação anterior - escrever também é para mim uma maneira de mensurar. Só temos consciência da importância que algo tem para nós quando o expomos. Guardar faz com que esse algo  - principalmente se for negativo - se torne maior do que é de fato. Escrever não resolve nenhum problema, mas te mostra o caminho para a solução de todos eles.

"Pode parecer papo de velha, e claro que a coisa piora com a idade. Mas eu já pensava essas coisas aos quinze anos. Eu sempre pensei essas coisas, desde que comecei a pensar coisas." (Página 8)
Eu já pensava essas coisas aos 5 anos quando abraçava o meu pai de olhos abertos na esperança de registrar aquela cena eternamente na minha mente. Eu já pensava essas coisas aos 5 anos quando - como se estivesse rezando um terço eterno - pedia para Deus proteger o meu pai 24h por dia na minha mente (faço isso até hoje acrescentando meus irmãos e meu noivo). Eu já pensava essas coisas aos 5 anos quando decidi que não repetiria os erros da minha mãe. [...] Eu já pensava essas coisas.

"Como se faz para ir a qualquer lugar sem achar isso gigantescamente insuportável? Sem ficar cansada antes mesmo de ir?" (Página 10)
No ápice das minhas crises essa se torna uma tarefa árdua e é uma das coisas que mais me incomoda por dificultar o cumprimento das minhas obrigações diárias.

"A ansiedade é como se existir fosse uma crise de abstinência de algo que não existe” (Página 58)
"O pânico é a necessidade urgente de uma cama que não existe." (Página 62)

"Meus pais estão envelhecendo e isso é triste e assustador." (Página 11)
É desesperador imaginar a minha vida sem o meu pai. Me dá uma aflição tão intensa que só de estar escrever sobre me causou palpitação. Não vou me estender porque realmente não sou capaz, mas espero nunca precisar sentir a dor real de perdê-lo.

"Me toquei de que todos nós morreríamos, minha mãe morreria, eu morreria, aquele casal na minha frente morreria, o cara que eu estava tentando esquecer (e que ideia ir sozinha para Paris!) morreria, o bebê cantor Jordy talvez já tivesse morrido, porque nunca mais se falou dele, e comecei a de fato passar muito mal." (Página 12)
Essa foi a descoberta mais dura da minha vida. A morte é a nossa única certeza, porém nunca havia refletido sobre o que ela significava de fato porque a minha fé era maior do que meus medos. Quando isso mudou e me dei conta do inevitável destino de todos nós foi como se minha mente implodisse. E até hoje tento me reconstruir em meio aos escombros que restaram após toda a destruição.

"É como se minha mente fosse uma chaleira e, de repente, apitasse antes de derramar." (Página 19)
Além de refletir em excesso, eu também penso em todas as possibilidades ruins que podem acontecer com 3 objetivos: 1) tentar impedir que ocorra simplesmente porque me antecipei 2) tomar uma atitude que impossibilite tal fato 3) não ser pega de surpresa. É uma neurose diária, ininterrupta, angustiante e dolorida.

"Eu poderia parar, mas não é o caso. Poderia não pegar outro quadradinho do chocolate. Não é nem pelo prazer, é para “fazer parar”. Acabar com o chocolate para que eu não fique com o pensamento apitando: “tem lá um chocolate”." (Página 84)
Fiquei muito assustada ao ler isso porque SEMPRE fui assim e nunca entendi muito bem o motivo. Enquanto meu irmão comia um quadradinho do chocolate e guardava o resto para depois, eu enfiava tudo na boca porque não conseguia parar de pensar que havia um chocolate na geladeira.

"As pessoas rasas são mais felizes, mas elas nem sentem isso de verdade porque são rasas, então não vale." (Página 88)
E, dentre todas as citações que separei, essa foi a mais reconfortante. Uso muito o termo "pessoas rasas" na minha vida (Léo que o diga 😂) e foi a primeira vez que vi/li alguém o utilizando. Espero não estar sendo redundante, mas é impossível não destacar o quão maravilhoso é não se sentir intelectualmente solitária (não que eu seja um gênio, só não encontrei uma palavra melhor para me expressar 😂). 


CONCLUSÕES FINAIS: Nunca havia me identificado tanto com um livro quanto me identifiquei com esse e acredito que grande parte das pessoas que sofrem de ansiedade também se identificarão, porém se eu tivesse que escolher apenas um grupo de pessoas para recomendá-lo, escolheria aquele dos que convivem com o(s) ansioso(s). Às vezes esquecemos que enfrentar esse mal é tão difícil para nós quanto para quem está ao nosso lado e muita das vezes a intensidade dos sentimentos nos impede de explicá-los e - consequentemente - de sermos compreendidos. Acredito que esse livro possa dar um norte para quem está disposto a ajudar quem ama.


E é isso.

Até a próxima!

Beijos,
Isabella Proença.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Kindle Paperwhite

sexta-feira, março 16, 2018 2
Oi pessoal, tudo bem? Espero que sim!

Em janeiro comprei meu tão sonhado Kindle paperwhite e hoje - depois de alguns livros já lidos - venho compartilhar com vocês todo o processo de compra e, é claro, resenhá-lo! 😍


Não lembro o momento exato em que tomei conhecimento da existência dos eReaders, mas confesso que o conceito não me agradou de cara. Assisti diversos vídeos sobre o Kindle, sobre o LEV e sobre Kindle X LEV e só conseguia pensar que um "tablet" jamais substituiria um livro físico na minha vida. Na época não estudava nem trabalhava e tinha todo o tempo livre do mundo para ler livros de quaisquer tamanhos no conforto da minha cama.

Os anos se passaram e em 2016 comecei a trabalhar, entrei na faculdade e minha vida se tornou uma loucura! Ler se tornou uma missão quase impossível. Em 365 dias li apenas 2 livros (ambos em PDF durante um feriado prolongado). Estava tão atarefada que no início sequer pensava nisso, mas depois de alguns meses a ausência de leitura afetou minha capacidade de escrita e aí o incômodo foi inevitável.

Inesperadamente saí do meu emprego, troquei de curso, mudei de universidade e, ao ingressar no meu primeiro estágio, encontrei um estímulo inédito para leitura online. Tanto minha supervisora quanto a chefe do RH da empresa eram (e ainda são) viciadas em livros e liam (e ainda leem) ebooks e PDFs. Naquela altura só havia lido 2 livros dessa maneira (os que citei no parágrafo acima) e simplesmente detestava, mas quando "não tem tu, vai tu mesmo", né?! Em aproximadamente 2 meses li 6 livros em PDF pelo meu celular e esse número só não cresceu porque fui assaltada e fiquei 5 meses usando o celular minúsculo do meu priminho de 7 anos. 

Esses 5 meses foram suficientes tanto para que eu perdesse o costume de ler pelo celular quanto para que eu fosse - 2 meses depois do assalto - repentinamente dispensada do bendito estágio. Resultado: sem a ferramenta e sem o estímulo. Consegui outro estágio depois de 2 meses de procura e no mês seguinte comprei um celular novo, porém não consegui (e não consigo até hoje) desempenhar nele as atividades que desempenhava com facilidade no anterior e ler é apenas uma delas.

Foi através da blogueira Luísa Accorsi que lembrei da existência do Kindle e - pela primeira vez - desejei ter um eReader. Pesquisei sobre cada detalhe e fiquei numa dúvida mortal entre o Kindle e o LEV. No fim do ano passado a empresa que estagio (a famosa "empresa dos sonhos") presenteou os estagiários, aprendizes e funcionários com um gift card de R$300,00. Ao procurar as lojas que o aceitavam encontrei a Saraiva e - depois de muitos questionamentos internos - decidi: "vou comprar o LEV". 

Fui na Saraiva do Shopping Tijuca e tanto o LEV Fit quanto o LEV Neo estavam disponíveis para acesso no mostruário e graças a isso me livrei de uma possível roubada: a lentidão de ambos era absurda e me fez desistir na hora. Fiquei extremamente decepcionada e ainda mais chateada pois o gift card só era aceito em lojas físicas e não há filial da Amazon aqui no Brasil.

Depois de algumas semanas fui no Ponto Frio do Shopping Tijuca com meu noivo para analisarmos os preços e resolvermos se valeria a pena comprarmos alguns utensílios com o meu gift card e a surpresa: o Kindle estava à venda! Fiquei super animada, porém novamente cheia de questionamentos internos pois havia me convencido a comprar coisas de casa. O Léo a todo momento dizia que eu deveria gastá-lo comigo, mas o maior julgamento é sempre o próprio e saímos de lá sem levar nada.

Conversei com Deus e o mundo, fiz tempestade em copo d'água e dramatizei horrores até que - dias depois - finalmente optei por comprar o Kindle. Saí do estágio, voltei no mesmo Ponto Frio e ao chegar lá fui informada que o estoque estava zerado. Quis dar um tapa na minha própria cara, porém algo me disse para ir em outro Ponto Frio e, seguindo meus instintos, fui - com poucas esperanças - no da Uruguaiana. A vendedora me informou que só havia 1. Fiquei feliz, mas quando ela estava finalizando a compra no sistema apareceu um erro: produto reservado. Quis dar outro tapa na minha própria cara, porém ela disse que iria verificar se estava pago. Não estava e ela foi no estoque liberá-lo. Rolou outro probleminha que não entendi direito, mas no fim deu tudo certo e, com a graça do meu senhor Jesus Cristo, o comprei. 


E agora, feito todo o detalhamento, irei compartilhar as informações de forma mais objetiva. 

• ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS: tamanho, peso e etc.

1. Iluminação embutida: sim (4 LEDs).
2. Mudança de página: tela sensível ao toque.
3. Resolução: 300ppi.
4. Cores: preta ou branca.
5. À prova d'água: não.
6. Tempo de bateria: semanas.
7. Conectividade: Wi-Fi ou Wi-Fi + Free 3G.
8. Peso: Wi-Fi - 205g | Wi-Fi + Free 3G - 217g.
9. Dimensões: 169 x 117 x 9.1 mm.
10. Tela: antirreflexo.
11. Armazenamento: milhares de eBooks.

Fonte: Amazon.

• PREÇO: quanto custou?

R$399,00 na promoção do Ponto Frio (no site da Amazon estava bem mais caro). Paguei R$300,00 com o gift card e passei o restante no cartão de crédito.

• PRIMEIRAS IMPRESSÕES: embalagem, manuseio e desempenho.

Veio muito bem embalado na caixinha e parcialmente carregado. O único item presente na mesma além do próprio Kindle é um cabo USB. Como havia lido muito sobre ele, não tive nenhuma dificuldade ao manuseá-lo (as funções são bem simples e objetivas). O coloquei para carregar apenas para completar a carga e continuei acessando. Fiz a assinatura do Kindle Unlimited durante os 30 dias de teste gratuito e baixei alguns livros. Logo de cara me surpreendi com o desempenho do mesmo, não tem nem comparação com o LEV: super rápido!


• PAPERWHITE: por que não comprou o mais barato?

O Kindle "normal" estava menos de R$200,00, mas não valeria a pena para mim pois não possui LED. Acredito que essa seja a única - e crucial - diferença entre ele e o Paperwhite. A minha intenção ao adquirir um eReader era a de facilitar e possibilitar a leitura em condições em que o livro físico não fosse prático e a ausência de luz dificultaria a leitura em ambientes escuros (ônibus intermunicipal a noite, por exemplo). Fora que o interruptor do meu quarto não é do lado da cama e não tenho abajur no criado mudo, então ele também me poupa de ter que levantar para desligar a lâmpada. 😂

• UTILIDADE: as suas expectativas foram atingidas?

Não só atingidas como também superadas! Não uso meu Kindle apenas para ler, mas também para estudar. Havia lido em alguns lugares que a visualização do PDF no Kindle não é muito boa, porém discordo veementemente: coloco todas as minha apostilas da faculdade nele através do cabo USB e as leio tranquilamente. Obviamente as opções de estilo e tamanho de fonte não estão disponíveis nesse formato, mas as duas principais (destaque e nota) estão e são mais do que suficientes para mim.

• DURABILIDADE E MANUTENÇÃO: é frágil?

Não é frágil, mas requer alguns cuidados básicos em relação à quedas e água (como qualquer eletrônico). No mercado existem diversas opções de cases e películas e no início me recusei a adquirir pois considero o valor desses acessórios um tanto quanto exacerbados, mas em pouco tempo percebi que o Kindle estava ficando arranhado e fui obrigada a me render.

Meu coordenador me indicou o site Webookers (que possui preços um pouco mais acessíveis) e comprei uma case lá por R$79,90 (não é algo barato, porém é necessário).

Ps.: tive um problema com a case (o fecho magnético soltou com pouquíssimo tempo de uso) e ao contactar a loja sequer pediram a comprovação do defeito - me enviaram outra dias depois sem cobrar absolutamente nada. MELHOR ATENDIMENTO DA VIDA, INDICO MUITO! (Webookers)


• RECOMENDA: todos deveriam ter?

Super recomendo, mas acredito que seja um dispositivo para um público específico (diferente de um smartphone, por exemplo). Para quem é apaixonado por leitura e tem a vida agitada considero um item obrigatório, mas para quem deseja somente um objeto mais prático para estudo e ficou interessado em comprar um eReader por ser mais barato que um tablet, é melhor economizar um pouco mais e investir em um tablet pois nenhum eReader possui editor de textos. No meu caso foi a melhor compra que já fiz em toda a minha vida!


E é isso, gente!

Essa foi a minha primeira resenha tecnológica e espero que seja útil para vocês. Caso surja alguma dúvida sobre algo que eu não tenha dito, deixem nos comentários que irei responder o mais rápido possível.

Até a próxima!

Beijos,
Isabella Proença.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Blogmas #13: Hush - A morte ouve

quarta-feira, dezembro 13, 2017 0
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Hoje trago a resenha de um filme bem interessante que encontrei "perdido" na Netflix. Ele surpreendeu a mim, aos meus amigos, ao meu noivo e acredito que vá surpreender vocês também.


  • Direção: Mike Flanagan.
  • Lançamento: 2016.
  • Elenco: Kate Siegel, John Gallagher Jr., Michael Trucco.
  • Gêneros: Terror, Suspense.
  • Nacionalidade: EUA.
"A autora Maddie Toung (Kate Siegel) vive uma vida isolada desde que perdeu sua audição na adolescência, se colando em um mundo de total silêncio. Porém, quando um rosto mascarado de um assassino psicótico aparece em sua janela, Maddie precisa ir além dos seus limites físicos e mentais para conseguir sobreviver."


Eu e o Léo estávamos na casa do Mauro e da Maiara e não conseguíamos entrar em um acordo sobre o que assistir, até que selecionei esse filme e a sinopse do mesmo fez com que todos, finalmente, concordassem: veremos este! Porém, apesar de considerá-lo bom de imediato, não imaginávamos que seria tão envolvente.

Não sabemos quem é o homem por trás da máscara e nem porque está ali, ele apenas aparece na porta da casa de Maddie e decide que vai torturá-la e assustá-la até que ela deseje morrer. Ela se torna refém dentro de sua própria casa, sem poder fugir ou pedir ajuda, enquanto o mesmo tenta atraí-la para fora. Daí para frente, o ritmo não para de acelerar. É um daqueles enredos onde é impossível ficar parado na sofá.

Trata-se de um filme tenso e, como o nome já diz, silencioso. Dos seus 81 minutos, 70 não possuem nenhuma fala e isso, ironicamente, eleva o nível de tensão.

Não há como falar mais sem entregar os detalhes importantes, mas o que posso dizer é que os confrontos são memoráveis e que a protagonista é muito forte. No começo ela parece ser vulnerável e ingênua, mas no desenrolar da história conseguimos notar sua força e percebemos que o maior erro do psicopata é subestimá-la.


É uma história que consegue fugir do previsível e tem desfechos inesperados, principalmente no fim. Atuação da principal foi o ponto alto da trama, a atriz Kate Siegel foi simplesmente maravilhosa e espetacular ao ser capaz de passar todas as sensações da personagem exclusivamente através de expressões corporais e faciais.

Recomendo a todos tendo a certeza de que não irão se arrepender de assistir!

E é isso.

Até a próxima! 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

BLOGMAS #8:This Is Us

sexta-feira, dezembro 08, 2017 1
Tudo o que ouvimos, assistimos ou lemos tem o poder de nos impactar de alguma forma, mas a intensidade desses impactos são variáveis: alguns tão pequenos que passam desapercebidos e outros tão potentes que nos marcam eternamente, ajudam a moldar quem somos e transformam a nossa maneira de enxergar o mundo. This Is Us é de uma potência descomunal.


Criado por: Dan Fogelman.
Ano de lançamento: 2016.
Com: Milo Ventimiglia, Mandy Moore, Sterling K. Brown, Justin Hartley e Chrissy Metz.
País: EUA.
Gênero: Drama.
Status: Em andamento.
Duração: 42 minutos.

"This is Us conta a história de um grupo de pessoas nascidas no mesmo dia e como suas vidas se cruzam."


Confesso que tento produzir essa resenha desde a primeira vez - de muitas - que assisti o piloto da série, mas nada que digito parece ser bom o suficiente para expressar o que sinto. Lembro que assim que terminei de assisti-lo não sabia o que dizer, tampouco o que pensar pois o achei tão maravilhoso que temi os episódios seguintes. Na minha concepção manter a magnitude do padrão que o primeiro episódio trouxe seria uma missão impossível, mas - por incrível que pareça - conseguiram concluí-la e superam-na a cada novo episódio.

O enredo é minuciosamente pensado, não é linear e é amplamente explorado - permitindo que conheçamos profundamente cada um dos personagens e entendamos seus pontos de vista distintos. Na verdade ainda não entendo como os roteiristas são capazes de redigir um episódio inteiro e espetacular utilizando apenas um fato que já nos havia sido apresentado superficialmente, mas o melhor de tudo é que o método adotado não torna a série prolixa e massante - pelo contrário! A dinâmica aplicada e a fluidez dos fatos apresentados nos envolvem e nos tornam cúmplices de tamanha beleza.

A história não cai em clichês em momento algum e isso a torna única, inigualável e surpreendente. E faço questão explicitar o surpreendente pois certos acontecimentos nos ferem de tão legítimos e inesperados.

Os atores possuem uma química incrível tanto uns com os outros quanto com seus próprios personagens. Eles não são conhecidos por terem desempenhado papéis de sucesso (exceto a Mandy Moore) e com certeza esse é um dos pontos que torna a escolha do elenco tão grandiosa: o público em geral não possui uma lembrança fixa dos mesmos e isso evita ruídos ou assimilações. É como se os personagens fossem únicos, reais. Até mesmo os personagens secundários nos conquistam com suas verdades individuais.

Apesar de ser uma série de drama não se trata de um drama desenfreado e sem um intuito algum. This Is Us desperta uma infinidade de sentimentos dentro de nós: rimos, choramos (muito!), ficamos com raiva, refletimos (o tempo inteiro!), mas não somos manipulados ou passados para trás pela série pois é a nossa bagagem que fará com que nos identifiquemos - ou não - com os fatos narrados pela mesma.

“Não há limão tão azedo que você não possa transformar em algo parecido com limonada.” (Dr. K)
This Is Us conquistou meu coração de um jeito inenarrável e sou muito grata por ter a oportunidade de acompanhá-la. Essa é só a primeira de muitas vezes que falarei sobre ela por aqui.

“You know when I was a little boy I didn’t know what I wanted to be when I grew up. Adults always ask little kids that. I never had a good answer. Not until I was twenty-eight. Until the day that I met you. That’s when I knew exactly what I wanted to be when I grew up. I wanted to be the man that made you happy.” (Jack)

Até a próxima! 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

BLOGMAS #6: Black Mirror

quarta-feira, dezembro 06, 2017 8
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim!

Há algum tempo ouço falarem sobre Black Mirror, mas - por algum motivo desconhecido - deduzi que a série seria semelhante a American Horror Story e não tive interesse em me aprofundar no enredo, porém isso mudou há alguns meses quando eu e o Léo fomos na casa de uma amiga e ela comentou sobre alguns episódios da mesma.


Criado por: Charlie Brooker. 
Ano de lançamento: 2011. 
Com: Madeline Brewer, Bryce Dallas Howard, Mackenzie Davis e mais. 
País: Reino Unido. 
Gênero: Drama, Ficção Científica, Suspense. 
Status: Em produção. 
Duração: 42 - 89 minutos. 

"Black Mirror retrata a inquietação coletiva em relação ao mundo moderno. Com muito suspense e genialidade, cada história explora temas relacionados à paranoia tecnológica contemporânea. A tecnologia transformou todos os aspectos de nossa vida: Em todas as casas, em todos os escritórios e nas mãos de todas as pessoas há uma tela de plasma, um monitor, um smartphone – um espelho negro refletindo a nossa existência no século 21."


“Se a tecnologia é uma droga – e parece mesmo ser uma – então quais são precisamente os efeitos colaterais? Este espaço – entre apreciação e desconforto – é onde Black Mirror, minha nova série de TV, está localizada. O ‘espelho negro’ do título é um que você encontrará em todas as paredes, em todas as mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, um monitor, um smartphone.” (Charlie Brooker)

Não é exagero dizer que Black Mirror é diferente de tudo o que já assisti no decorrer da minha vida. Apesar de percebermos críticas a variados assuntos - inclusive tecnológicos - em diversos filmes e séries, Black Mirror vai além. De uma forma perturbadoramente passivo-agressiva somos confrontados a cada segundo de cada episódio de maneiras distintas que se fundem.

"Cada episódio tem um elenco diferente, um cenário diferente e até mesmo uma realidade diferente, mas todos se tratam da forma que vivemos agora - e da forma que podemos estar vivendo daqui a 10 minutos se formos desastrados." (Charlie Brooker)

Como o criador explica na citação acima, não há "continuidade" entre os episódios como em uma série normal. Cada episódio apresenta uma estória composta de começo, meio e fim, mas - ao mesmo tempo - todas têm o objetivo citado por ele.

Por este motivo, não há como falar sobre Black Mirror sem citar os episódios especificamente e é isso que farei - de forma resumida e levemente poética - agora. 

1x01 The National Anthem / Hino Nacional


O incontrolável impacto da internet e suas redes sociais, a influência da mídia nas decisões, o valor da imagem pessoal e o entretenimento obtido através do sofrimento alheio.

1x02 Fifteen Milion Merits / Quinze Milhões de Méritos


Sistema manipulador, reality shows, padronização, alienação, hipocrisia e deturpação.

1x03 The Entire History Of You / Toda a sua História


Os malefícios do acesso livre à memória em um futuro onde o esquecimento foi extinto. Obsessão, análise e paranoia. Até que ponto a necessidade crescente da nossa sociedade em relação a registros é saudável? A ignorância - muitas vezes - é uma bênção. 

2x01 Be Right Back / Volto Já


"How do I live without the ones I love?
Time still turns the pages of the book it's burned
Place and time always on my mind
I have so much to say but you're so far away
Plans of what our futures hold
Foolish lies of growing old
It seems we're so invincible
The truth is so cold
A final song, a last request
A perfect chapter laid to rest
Now and then I try to find a place in my mind
Where you can stay
You can stay away forever" (So Far Away - A7X)

2x02 White Bear / Urso Branco


Colhemos o que plantamos. Tudo que vai, volta. Toda atitude tem uma consequência, esteja disposto a assumi-la e enfrentá-la.

2x03 The Waldo Moment / Momento Waldo


Uma piada sem graça que foi levada à sério. Simbolismos, representatividade reversa e marketing.

2x04 [SPECIAL] White Christmas / Natal


A linha tênue entre punição e tortura. Desonestidade e poder. Não há consequência mais devastadora do que a inexistência.

3x01 Nosedive / Queda Livre


O futuro nunca esteve tão presente nas nossas vidas. Redes sociais, necessidade de aceitação, esteriótipos e máscaras. Valemos o que nos classificam. 

3x02 Playtest / Versão de Testes


Até onde os nossos próprios medos podem nos levar? 

3x03 Shut Up And Dance / Manda Quem Pode


Invasão de privacidade, chantagem, constrangimento e exposição [...] As aparências enganam.

3x04 San Junipero 


“No ano de 2030, teremos computadores com capacidade de informação igual a da mente humana. Isso significa que você poderá colocar sua consciência em um computador e viver para sempre como máquina.” (Ross Geller - Friends)

3x05 Men Against Fire / Engenharia Reversa


A máscara ideológica como instrumento legitimador do extermínio do outro.

3x06 Hated In The Nation / Odiados Pela Nação


Enquanto houver boas intenções, haverá interesses por baixo do tapete. Enquanto houver distrações, haverá pessoas para não considerar o poder delas. Enquanto houver liberdade, haverá quem pise na dos outros. E enquanto houver quem pise na liberdade do próximo, haverá alguém com más intenções. É um ciclo que se repete de novo e de novo não porque a tecnologia possibilita, mas porque as pessoas o estimulam. 


E é isso!

Black Mirror é uma série que vale a pena ser assistida exatamente pelo impacto que causa. É importante que nos atentemos para determinados assuntos, pois a realidade é que o enredo - que tanto nos apavora - está mais perto de nós do que conseguimos imaginar.

Vocês já a assistiram? Se sim, me contem o que acham nos comentários. Se não, recomendo! Todas as temporadas estão disponíveis na Netflix. 

Até a próxima! <3


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

How I met your mother

segunda-feira, outubro 23, 2017 4
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Hoje venho falar sobre uma série que em pouco tempo conquistou o meu coração e tomou conta dos meus dias de uma maneira LEGEN... WAIT FOR IT... DARY! Legendary! 

Apesar de estar muito tentada a falar sobre o fatídico series finale decidi que essa resenha será completamente livre de spoilers, mas em breve farei um post exclusivo sobre o assunto – aguardem!


  • Criado por: Craig Thomas e Carter Bays.
  • Ano de lançamento: 2005.
  • Com: Josh Radnor, Jason Segel, Alyson Hannigan, Cobie Smulders e Neil Patrick Harris.
  • País: EUA.
  • Gênero: Comédia.
  • Status: Finalizada.
  • Temporadas: 9.
  • Episódios: 208.
  • Duração: 22 minutos.
Em 2030, o arquiteto Ted Mosby (Josh Radnor) conta a história sobre como conheceu a mãe dos seus filhos. Ele volta no tempo para 2005, relembrando suas aventuras amorosas em Nova York e a busca pela mulher dos seus sonhos. Ao longo do anos, Ted aproveita para falar a jornada dos seus amigos: o advogado Marshall Eriksen (Jason Segel), a professora Lily Aldrin (Alyson Hannigan), a jornalista Robin Scherbatsky (Cobie Smulders) e o mulherengo convicto Barney Stinson (Neil Patrick Harris).


Quem me recomendou How I Met Your Mother foi a Maiara, minha melhor amiga. Nós fizemos um acordo: eu assistiria HIMYM e em troca ela assistiria Black Mirror.


Confesso que eu tinha preconceito com séries que têm fundo sonoro de risada e por esse motivo não imaginei que levaria o combinado a sério, tampouco que gostaria tanto da série e me apegaria tão rapidamente ao enredo e aos personagens.

Estou escrevendo esse post dia 20/10/2017 e acabo de perceber que finalizei 9 temporadas em mais ou menos 2 meses.

It’s really AWESOME!


Após o piloto assisti os 7 episódios seguintes consecutivamente e todos me fizeram sorrir. Eles são tão leves e descontraídos que quando você percebe já acabaram e seu interior implora por mais (imaginei o Barney fazendo uma piada suja sobre essa frase). Em resumo: sabe quando algo faz bem? Então, é substancialmente isso.

Apesar do Ted estar explicando para seus filhos como conheceu a mãe deles, a narrativa detalha de uma forma bizarramente específica tudo o que ele viveu a partir do momento em que decidiu que estava preparado para se casar, fazendo com que conheçamos a fundo também seus melhores amigos: Marshall, Lily, Barney e, posteriormente, Robin.

O formato da série é atípico por se tratar de um relato do passado: é basicamente flashback dentro de flashback, mas – por ser extremamente bem construída – não é confusa.


Porém o que me conquistou de verdade foram os personagens e suas personalidades distintas e é claro que não poderia deixar de falar um pouco sobre cada um deles.

TED

Nome completo: Theodore Evelyn Mosby.
Data de nascimento: 25 de abril de 1977.
Profissão: arquiteto.


No decorrer da série meu sentimento pelo Ted sofreu diversos altos e baixos. Confesso que no começo eu o odiava: o achava carente, melodramático e estúpido. Mas – no decorrer das temporadas – creio ter conseguido captar sua essência. Ted nada mais é que um cara romântico que acredita verdadeiramente no poder do amor. O problema é que ele quer tanto encontrar seu lebenslangerschicksalsschatz que se entrega demais em todos os seus relacionamentos – inclusive os fadados ao fracasso – e quebra a cara diversas vezes. Obviamente todos os erros que ele cometeu o levaram até a mother, porém é difícil para mim não pensar que se ele fosse um pouco mais seletivo teria encontrado a the one antes. Enfim...

Além disso, Ted é um amigo excelente que sempre faz tudo o que pode para ver seus amigos felizes. Em suma: quando ele não está fazendo papel de trouxa é um personagem amável.

Algumas pessoas falam mal do ator e dizem que ele não tem carisma para ser protagonista, mas eu discordo. O jeito dele o torna um personagem atípico e até mesmo suas chatices (que não são poucas) dão um toque de humor diferente ao enredo.

Ele não é meu personagem favorito da vida e tampouco da série, mas é pouco provável ser fã de HIMYM e não sentir empatia pelo Ted.

MARSHALL & LILY

Nome completo: Marshall Eriksen / Lily Aldrin.
Data de nascimento: 18 de janeiro de 1977 / 24 de março de 1977.
Profissão: estudante de direito / professora de jardim de infância.


O Marshall é a definição de utopia (e não falo isso no sentido pejorativo). Você já conheceu uma pessoa genuinamente boa? Pois é exatamente isso que ele é.

Nascido e criado no Minnesota por uma família grande e tradicional, Marshall conheceu Lily no primeiro ano de faculdade e ambos souberam que eram o amor da vida do outro. Parece perfeito demais para ser verdade, né? E a verdade é que a perfeição passa bem longe: tanto do casal, quanto da Lily, quanto do Marshall.

Por se tratar de uma série de 9 temporadas acompanhamos a vida dos personagens durante mais de 9 anos e é inevitável não notar evoluções nos mesmos. Apesar de eu ter citado a palavra utopia ao me referir ao Marshall não quis dizer que ele não tem defeitos. Ele é um ser humano e não está isento da imperfeição,  mas o que o torna diferente dos demais é a sua lealdade incondicional.

Apesar do Barney não concordar com o que direi agora, Lily é a líder do grupo. Ela tem capacidades assustadoras de persuasão, observação e até mesmo manipulação, mas só as utiliza para o bem. Algumas atitudes dela me aborreceram, porém percebi que se relacionar com alguém como o Marshall é pressão demais para qualquer pessoa comum - por mais que a própria esteja consciente da sua sorte.

Ela é bastante sensível, sempre sabe quando alguém está mentindo, dá ótimos (na maioria das vezes) conselhos, tem problemas com compras e, além de tudo isso, vive um dilema que quase todos nós viveremos algum dia: "em que momento da minha vida o meu sonho ficou para trás?".

Marshmallow e Lilypad formam o meu casal de seriado favorito de todos os tempos.

ROBIN

Nome completo: Robin Charles Scherbatsky Jr.
Data de nascimento: 23 de julho de 1980. 
Profissão: jornalista.

Minha relação com a Robin é composta por diversos altos, baixos e submersos. Ela é uma mulher independente que coloca sua carreira acima de todo e qualquer relacionamento e demonstra não se importar com nada além disso.

Sua criação atípica a tornou diferente das demais: seus gostos são mais compatíveis com os masculinos e ela tem uma certa dificuldade de fazer amizade com outras mulheres.

Me identifico um pouco com ela em algumas situações, mas no geral a considero um desastre ambulante e infelizmente não conseguirei falar nada além disso sobre ela sem dar spoilers.

BARNEY

Nome completo: Barney Stinson.
Data de nascimento: 09 de fevereiro de 1974.
Profissão: PLEASE.

O Barney é, sem dúvidas, o meu personagem favorito. Ele é o mais velho do grupo de amigos, o menos maduro e o mais engraçado. É rico, bonito, persuasivo e usa (e abusa de) todos esses atributos para dormir com centenas de mulheres e nunca vê-las novamente. Essas características podem parecer descrever um ser desprezível, mas não... No decorrer da série ele nos mostra que é muito mais do que deixa transparecer e que suas atitudes não passam de mecanismos de defesa. 

Ele também é o autor de 90% dos bordões da série, do "bro code" e do "playbook" (que realmente existem!) e o responsável pelas variações maravilhosas de "high five"!

Fora que o ator que o interpreta (Neil Patrick Harris) é tão foda quanto o personagem, então seria impossível essa combinação não resultar em algo magnífico!


Além de entreter, a série nos faz refletir e nos ensina sobre a vida de uma forma descontraída e leve, mas ainda assim com grande impacto. Aprendi, reforcei certezas, ampliei meus pensamentos e tudo isso foi feito através de risadas - e algumas poucas, porém presentes, lágrimas.

Farei um post sobre todas as lições aprendidas, porém seria impossível finalizar essa resenha sem a maior delas: "you can't jump straight to the end, the journey is the best part".

Vale muito a pena acompanhar essa incrível jornada. Não só recomendo a todos como desejo que aproveitem-na tanto quanto eu aproveitei, pois a mesma foi minha alegria nos dias difíceis.

Até a próxima! <3

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Até o último homem

sexta-feira, junho 23, 2017 13
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Espero que sim.

A resenha de hoje é sobre um filme de guerra diferente de todos os outros que já assisti na minha vida.


  • Título Original: Hacksaw Ridge;
  • Data de lançamento: 26 de janeiro de 2017;
  • Duração: 2h20min;
  • Direção: Mel Gibson;
  • Elenco: Andrew Garfield, Vince Vaughn, Teresa Palmer e mais;
  • Gêneros: Drama, Guerra, Biografia;
  • Nacionalidades: Austrália, EUA;
Durante a Segunda Guerra Mundial, o médico do exército Desmond T. Doss (Abdrew Garfield) se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas, porém, durante a Batalha de Okinawa ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado. O que faz de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso.


Antes de escrever uma resenha leio várias e dessa vez não foi diferente, mas confesso que me surpreendi com a opinião dos meus colegas blogueiros. Sempre deixo claro que não possuo conhecimentos técnicos sobre a indústria cinematográfica e que minha avaliação é única e exclusivamente sobre a história, logo compreendo críticas e pontuações mais específicas que não sou capaz de fazer, porém ler críticas tão severas em relação a religião de Desmond (já que estamos falando de uma biografia, ou seja, contexto real) mesmo após tudo o que sua fé e sua convicção o possibilitaram fazer, foi difícil de engolir.

Apesar de algumas modificações e até mesmo algumas ocultações (clique aqui para ver as diferenças), o filme permaneceu fiel a história verdadeira. Natural da Virginia, Desmond Doss cresceu em um lar conturbado. Seu pai - ex-militar - ainda carregava sequelas emocionais da Primeira Guerra Mundial: se tornou um alcoólatra e constantemente era agressivo e hostil, principalmente em relação a sua esposa - mãe de Doss.

Na infância, durante uma briga, Desmond atingiu a cabeça de seu irmão com um tijolo e quase o matou. De família Adventista, o ocorrido o fez refletir sobre assassinato e sobre um dos dez mandamentos de Deus: "não matarás".


Anos se passaram e, já adulto, limpava as janelas da igreja que frequentava quando percebeu uma movimentação estranha na rua. Ao averiguar salva a vida de um rapaz que havia sofrido um acidente amarrando um torniquete em sua perna e o levando para o hospital às pressas.

Neste mesmo dia ele conheceu a enfermeira Dorothy - por quem se apaixonou instantaneamente - e revelou seu sonho de ser médico - que foi frustrado pela falta de recursos financeiros. 

A forma com que o relacionamento dos dois nasce é linda, pura e verdadeira. Foi impossível conter o sorriso involuntário ao assistir. 


Apesar da relutância de seu pai, Desmond decidiu se alistar para a Guerra após o ataque a Pearl Harbor, mas - diferente dos demais - sua intenção era servir como médico e não matar ninguém.

Ele deixou Dorothy, que a essa altura já era sua noiva, com a promessa de que se casariam assim que ele tivesse sua primeira folga.  


No campo de treinamento tudo ocorria bem até Desmond relevar que não tocaria em armas e que não poderia trabalhar aos sábados devido ao Sabá (entenda o significado). O fato dele ser um Objetor de Consciência (entenda o significado) incomodou os demais soldados - que passaram a atormentá-lo constantemente de diversas formas. 

Mas nem a agressão física, nem a suspensão inesperada (e injusta) de sua folga o fizeram desistir de seu objetivo. 

“I don’t know how I’m going to live with myself if I don’t stay true to what I believe.”
– Desmond Doss
("Não sei como viverei comigo mesmo se eu não for fiel ao que eu acredito.")

O prenderam, o levaram a julgamento e estavam prestes a condená-lo quando seu pai, Cabo Thomas Doss, levou uma carta do General Comandante de Serviços de Guerra de Washington, que dizia que os direitos do acusado estavam protegidos pela Constituição e que ele não poderia ser compelido a pegar em armas. Imediadamente as acusações foram retiradas pelo Coronel e o caso foi anulado.

Soldado Doss, está livre para ir ao inferno da batalha sem uma única arma para de proteger.


E é a partir daí que entramos no Campo de Batalha de Okinawa, na aterrorizante Cordilheira de Hacksaw dominada pelos japoneses.

As cenas de Guerra são alucinantes. Há muitos tiros, chamas, explosões e mortes, mas nossa perspectiva acaba sendo diferente da perspectiva que temos sobre outros filmes do mesmo gênero. O foco não está necessariamente em vencer e sim em ajudar os feridos. 

No primeiro dia de batalha Doss reflete sobre o momento que prometeu a Deus que jamais tocaria em uma arma novamente e nos permite compreender a raiz de seus princípios e valores morais. 

No segundo dia de batalha os soldados americanos são surpreendidos por intermináveis soldados japoneses que os obrigaram a recuar e causaram inúmeras mortes, mas - enquanto os demais buscavam sua própria proteção - Desmond clamou a Deus e optou por salvar vidas.

Sem nenhuma arma, sua única cobertura vinha dos navios americanos que bombardeavam Hacksaw e dificultava a visão dos japoneses, mas - infelizmente - não durou muito tempo. Por pouquíssimos soldados terem conseguido recuar de fato, o capitão solicitou que o bombardeio cessasse.

Ainda assim ele não desistiu.

“Please, Lord, help me get one more.”
– Desmond Doss
("Por favor, Deus, me ajude a levar mais um.")


Essa é a história de um "covarde" que salvou 75 homens graças à sua "loucura". Essa é a história do "fanático religioso" que foi o primeiro Objetor de Consciência a receber uma Medalha de Honra. Essa é a história de um herói que atribuiu toda a sua glória ao Senhor.  

Desmond Doss viveu 87 anos (1919-2003), foi casado com Dorothy (1920-1991) durante toda a sua vida (1942-1991) e eles tiveram um filho (Desmond Doss Jr).


Esse filme me fez refletir muito sobre fé, integridade e valores. Tirei lições valiosas que espero conseguir aplicar na minha vida. Não devemos tratar nossas crenças com desdém, pois - no final das contas - elas definem quem nós somos e não importa o que digam ou pensem, sabemos o que estamos fazendo e isso nos basta.

Desmond Doss foi (e continua sendo) um exemplo de ser humano que merece ser seguido a risca.


Tenho recomendado a todos os meus amigos e não há nenhum que não tenha gostado. Estou torcendo para que a indicação seja válida para vocês também.

Até a próxima! <3